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Mário de Andrade entra em domínio público e editoras já apresentam novas edições

- Atualizado: 17 Janeiro 2016 | 16h 28

Chegam às livrarias, por editoras diferentes, nova edição de ‘Macunaíma’, sua versão em HQ e reunião de contos - por enquanto

A partir de fevereiro, quem quiser ler Macunaíma terá mais uma opção além das duas edições da Nova Fronteira já no mercado – uma brochura e a mais recente, de 2015, com capa dura, apresentação de Telê Ancona Lopez e Tatiana Longo Figueiredo, responsáveis pelo estabelecimento do texto, e caderno de fotos. Esta última foi lançada para celebrar Mário de Andrade (1893-1945) nos 70 anos de sua morte e também para aproveitar a homenagem feita pela Flip e os últimos meses de uma obra protegida por direito autoral. 

Pois Mário de Andrade está em domínio público desde o dia 1.º, e é por isso que quem for à livraria mês que vem encontrará outro Macunaíma, editado pelo selo Penguin-Companhia das Letras. O texto é o mesmo fixado pelas pesquisadoras do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e o prefácio é de Simone Rossinetti Rufinoni. Foram incluídos texto de Sérgio Buarque de Hollanda e uma carta para Carlos Drummond de Andrade, “Carlico”, com notas do poeta.

Sem dono. Qualquer editora pode publicar os livros de Mário de Andrade agora
Sem dono. Qualquer editora pode publicar os livros de Mário de Andrade agora

“Vemos com muita tranquilidade a entrada dessa obra em domínio público porque a consequência mais óbvia é que o autor passa a ser mais lido. Recentemente, vivemos isso com O Pequeno Príncipe. O domínio público não gera nenhum problema para a editora; pelo contrário”, diz Maria Cristina Jeronimo, editora da Nova Fronteira. Só o que a casa não conseguiu aprontar, enquanto era a única autorizada a publicá-lo (e isso, desde 2007), foi a adaptação de Macunaíma em HQ, de Izabel Aleixo e Kris Zullo. E a Peirópolis, que contava os dias para lançar Macunaíma em Quadrinhos, manda o volume feito a quatro mãos por Angelo Abu e Dan X para as livrarias nos próximos dias.

“Quando a obra de um autor entra em domínio público, não são mais os herdeiros a zelar pela sua preservação ou os acadêmicos, pela interpretação da mesma. A profusão de olhares e leituras sobre um determinado livro, especialmente se ele é um clássico que atravessa os tempos ou tem o poder de comunicar a força de um povo ou de um idioma, só pode ser positiva”, comenta Renata Farhat Borges, diretora da Peirópolis. O livro sairá na coleção Clássicos em HQ, que tem boa aceitação nas escolas. De Dom Quixote em Quadrinhos, por exemplo, foram vendidos 150 mil exemplares.

Herói sem caráter. Angelo Abu e Dan X recriaram Macunaíma
Herói sem caráter. Angelo Abu e Dan X recriaram Macunaíma

Mas a ideia de adaptá-lo partiu de Abu, que quando o leu se encantou com “aquela mistura de humor, erotismo, poesia e escracho”. Para ele, a HQ pode ser um convite ao leitor. “As pessoas vão querer ler o livro na língua escrita por amor de sentir raiva das partes que deixamos de fora. E também pra dar água de chocalho pra imaginação pra enxergar tudo muito diferente”, responde, brincando com o “macunaimês”.

Leia também: Angelo Abu fala sobre 'Macunaíma em Quadrinhos'

Mas Mário é muito mais que seu clássico, e o que devemos ver agora é a criação de novas coletâneas de contos e poemas. A primeira a sair, já em fevereiro será Briga das Pastoras e Outras Histórias: Mário de Andrade e a Busca do Popular (Edições SM). A organização é de Ivan Marques e o livro traz 13 contos menos óbvios do autor cujo acervo é riquíssimo e está no IEB. Há material inédito ali, assegura Telê Ancona, sua principal pesquisadora. A lista dos inéditos quase prontos para edição é longa, e ela cita alguns: Estudos Sobre o Negro, com organização de Angela Teodoro Grillo; Da Tradução, preparado por Sonia Marrach; Curso de Filosofia e História da Arte, por Luciana Barongeno, etc. Para Telê, o perigo do domínio público é “a disseminação de textos alterados, adulterados, pois, Mário é um escritor difícil por força de seu projeto linguístico renovador”.

'Briga das Pastoras' traz ilustrações de Mauricio Negro
'Briga das Pastoras' traz ilustrações de Mauricio Negro

Leia também: Telê Ancona Lopez comenta os inéditos que estão surgindo do baú de Mário de Andrade

Suas cartas também têm rendido bons livros – e podem gerar mais. Mas aí temos dois entraves. Só poderiam ser publicadas as do autor e de seus interlocutores em domínio público ou cujos herdeiros tenham autorizado. E os pesquisadores não terão acesso à sua correspondência completa. Conforme noticiado pela Época esta semana, 78 cartas desapareceram do IEB nos anos 2000. “Medidas de segurança foram reforçadas, o que garante que não haverá mais ocorrências como aquela”, diz Sandra Nitrini, diretora da instituição, que conta também que o acervo do modernista está sendo digitalizado.

MACUNAÍMA EM QUADRINHOS

Autores: Angelo Abu e Dan X

Editora: Peirópolis (80 págs., R$ 39; nas livrarias nos próximos dias)

MACUNAÍMA

Autor: Mário de Andrade

Editora: Penguin-Companhia das Letras (240 págs.; lançamento em fevereiro)

BRIGA DAS PASTORAS E OUTRAS HISTÓRIAS: MÁRIO DE ANDRADE E A BUSCA DO POPULAR

Org.: Ivan Marques

Editora: SM (144 págs.; lançamento em fevereiro)

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