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Mário de Andrade entra em domínio público e editoras já apresentam novas edições

Chegam às livrarias, por editoras diferentes, nova edição de ‘Macunaíma’, sua versão em HQ e reunião de contos - por enquanto

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Maria Fernanda Rodrigues,
O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2016 | 06h00

A partir de fevereiro, quem quiser ler Macunaíma terá mais uma opção além das duas edições da Nova Fronteira já no mercado – uma brochura e a mais recente, de 2015, com capa dura, apresentação de Telê Ancona Lopez e Tatiana Longo Figueiredo, responsáveis pelo estabelecimento do texto, e caderno de fotos. Esta última foi lançada para celebrar Mário de Andrade (1893-1945) nos 70 anos de sua morte e também para aproveitar a homenagem feita pela Flip e os últimos meses de uma obra protegida por direito autoral. 

Pois Mário de Andrade está em domínio público desde o dia 1.º, e é por isso que quem for à livraria mês que vem encontrará outro Macunaíma, editado pelo selo Penguin-Companhia das Letras. O texto é o mesmo fixado pelas pesquisadoras do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e o prefácio é de Simone Rossinetti Rufinoni. Foram incluídos texto de Sérgio Buarque de Hollanda e uma carta para Carlos Drummond de Andrade, “Carlico”, com notas do poeta.

“Vemos com muita tranquilidade a entrada dessa obra em domínio público porque a consequência mais óbvia é que o autor passa a ser mais lido. Recentemente, vivemos isso com O Pequeno Príncipe. O domínio público não gera nenhum problema para a editora; pelo contrário”, diz Maria Cristina Jeronimo, editora da Nova Fronteira. Só o que a casa não conseguiu aprontar, enquanto era a única autorizada a publicá-lo (e isso, desde 2007), foi a adaptação de Macunaíma em HQ, de Izabel Aleixo e Kris Zullo. E a Peirópolis, que contava os dias para lançar Macunaíma em Quadrinhos, manda o volume feito a quatro mãos por Angelo Abu e Dan X para as livrarias nos próximos dias.

“Quando a obra de um autor entra em domínio público, não são mais os herdeiros a zelar pela sua preservação ou os acadêmicos, pela interpretação da mesma. A profusão de olhares e leituras sobre um determinado livro, especialmente se ele é um clássico que atravessa os tempos ou tem o poder de comunicar a força de um povo ou de um idioma, só pode ser positiva”, comenta Renata Farhat Borges, diretora da Peirópolis. O livro sairá na coleção Clássicos em HQ, que tem boa aceitação nas escolas. De Dom Quixote em Quadrinhos, por exemplo, foram vendidos 150 mil exemplares.

Mas a ideia de adaptá-lo partiu de Abu, que quando o leu se encantou com “aquela mistura de humor, erotismo, poesia e escracho”. Para ele, a HQ pode ser um convite ao leitor. “As pessoas vão querer ler o livro na língua escrita por amor de sentir raiva das partes que deixamos de fora. E também pra dar água de chocalho pra imaginação pra enxergar tudo muito diferente”, responde, brincando com o “macunaimês”.

Leia também: Angelo Abu fala sobre 'Macunaíma em Quadrinhos'

Mas Mário é muito mais que seu clássico, e o que devemos ver agora é a criação de novas coletâneas de contos e poemas. A primeira a sair, já em fevereiro será Briga das Pastoras e Outras Histórias: Mário de Andrade e a Busca do Popular (Edições SM). A organização é de Ivan Marques e o livro traz 13 contos menos óbvios do autor cujo acervo é riquíssimo e está no IEB. Há material inédito ali, assegura Telê Ancona, sua principal pesquisadora. A lista dos inéditos quase prontos para edição é longa, e ela cita alguns: Estudos Sobre o Negro, com organização de Angela Teodoro Grillo; Da Tradução, preparado por Sonia Marrach; Curso de Filosofia e História da Arte, por Luciana Barongeno, etc. Para Telê, o perigo do domínio público é “a disseminação de textos alterados, adulterados, pois, Mário é um escritor difícil por força de seu projeto linguístico renovador”.

Leia também: Telê Ancona Lopez comenta os inéditos que estão surgindo do baú de Mário de Andrade

Suas cartas também têm rendido bons livros – e podem gerar mais. Mas aí temos dois entraves. Só poderiam ser publicadas as do autor e de seus interlocutores em domínio público ou cujos herdeiros tenham autorizado. E os pesquisadores não terão acesso à sua correspondência completa. Conforme noticiado pela Época esta semana, 78 cartas desapareceram do IEB nos anos 2000. “Medidas de segurança foram reforçadas, o que garante que não haverá mais ocorrências como aquela”, diz Sandra Nitrini, diretora da instituição, que conta também que o acervo do modernista está sendo digitalizado.

MACUNAÍMA EM QUADRINHOS

Autores: Angelo Abu e Dan X

Editora: Peirópolis (80 págs., R$ 39; nas livrarias nos próximos dias)

MACUNAÍMA

Autor: Mário de Andrade

Editora: Penguin-Companhia das Letras (240 págs.; lançamento em fevereiro)

BRIGA DAS PASTORAS E OUTRAS HISTÓRIAS: MÁRIO DE ANDRADE E A BUSCA DO POPULAR

Org.: Ivan Marques

Editora: SM (144 págs.; lançamento em fevereiro)

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