Walter Craveiro
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Maria Valéria Rezende vence Prêmio São Paulo de Literatura 2017

‘Outros Cantos’ foi o melhor romance da premiação; Franklin Carvalho e Maurício de Almeida ganharam nas categorias mais e menos de 40 anos

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2017 | 21h57

Maria Valéria Rezende venceu na noite desta segunda-feira, 6, o Prêmio São Paulo de Literatura com mais um livro sobre personagens invisíveis na sociedade. Outros Cantos (Alfaguara), considerado o melhor romance de 2016, conta a história de Maria, professora do Mobral que, em plena ditadura militar, parte para o sertão nordestino para preparar a chegada dos outros missionários “para fazer a revolução a partir do povo”, como a narradora explica.

A obra acompanha a viagem dessa mulher de volta a Olho d’Água 40 anos depois de sua tentativa de primeiro ajudar o povo a refletir sobre sua situação e, depois, transformar o Brasil.

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O livro remete à experiência da freira e escritora santista radicada em João Pessoa que, no início dos anos 1970, também em serviço missionário, partiu para o Nordeste, para viver no campo – ela voltaria depois, entre 1976 e 1988 para uma temporada mais longa.

Outros Cantos rendeu a Maria Valéria Rezende, de 74 anos, única mulher na lista de finalistas que contava com, entre outros, Silviano Santiago, vencedor do Jabuti na semana passada, Bernardo Carvalho e José Luiz Passos, o prêmio de R$ 200 mil. Esta é a segunda conquista literária recente da autora. Em 2015, ela foi a grande vencedora do Jabuti por seu romance Quarenta Dias, sobre uma professora aposentada que, num rompante, sai de casa e passa dias perambulando pela cidade, vivendo na rua.

Concedido pelo Governo do Estado, o Prêmio São Paulo elege, ainda, os melhores romances de autores estreantes com mais e com menos de 40 anos.

Vencedor do Prêmio Sesc em 2007 com Beijando Dentes, de contos, o antropólogo e escritor paulista Maurício de Almeida, de 35 anos, ganhou R$ 100 mil por A Instrução da Noite (Rocco). Narrado pelo filho e entremeado pelo diálogo dele com a irmã desaparecida, o livro mostra os efeitos da volta do pai à família que ele abandonou anos antes.

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Com Céus e Terra, também vencedor do Prêmio Sesc, em 2016, o jornalista baiano Franklin Carvalho emplaca seu segundo prêmio e ganha, agora, R$ 100 mil. O livro conta a história de um menino pobre do sertão que é convocado para ajudar a salvar um homem crucificado. Os dois morrem. Como uma espécie de fantasma, ele começa a acompanhar a rotina da cidade.

O júri final desta 10ª edição do prêmio foi composto por escritores, professores e críticos como Alcir Pécora, Alonso Alvarez, Cintia Alves, Flavio Cafiero e Leyla Perrone-Moisés. Concorreram 201 romances nas três categorias.

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