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Harlan Coben fala sobre a era dourada da ficção policial

Guilherme Sobota - O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 17h 53

Escritor, que alcançou a fama com série do agente esportivo Myron Bolitar, faz neste sábado palestra na Bienal do Livro, no Anhembi

Harlan Coben é alto – 1,93 m, a mesma altura de seu personagem mais célebre, Myron Bolitar, agente esportivo que assume papéis de detetive em uma série de livros que, junto com alguns outros de sua lavra, já vendeu mais de um milhão de exemplares somente em terras tupiniquins. E o primeiro assunto do papo de Coben com o Estado, na quinta-feira, em um hotel em São Paulo, foi, justamente, futebol – o nosso.

Coben está no Brasil para participar, neste sábado de manhã, às 10h30, da Bienal do Livro, no Anhembi, para falar sobre ficção policial – gênero que pratica e que admira com fervor profissional. “A ficção policial está passando por sua era de ouro”, diz, ao desfiar uma lista de nomes contemporâneos, entre os quais Dennis Lehane, George Pelecanos, Michael Connelly, Lisa Scottoline e James Ellroy.

José Patrício/Estadão
Coben durante a conversa com o "Estado", na quinta-feira, 21

“A ficção policial nunca foi tão boa quanto é agora – nunca foi tão diversa, pessoas de nacionalidades diferentes, homens, mulheres, jovens e velhos, alguns mais duros, outros mais como Agatha Christie. Nunca houve tantos bons autores trabalhando ao mesmo tempo. É animador”, afirma Coben.

Ele também veio lançar Seis Anos Depois, seu romance mais recente publicado por aqui (os livros saem pela editora Arqueiro, do Grupo Sextante). Neste, Jake Fisher, jovem professor universitário, vê a mulher por quem é apaixonado inexplicavelmente casar com outro cara – o estranho é que a decisão de terminar o relacionamento e juntar os trapos foi repentina. Seis anos depois, o protagonista descobre que essa união tinha sido uma farsa, e então parte atrás das peças para reconstruir o próprio passado.

“Uma das coisas sobre a qual eu gosto de escrever é sobre pessoas desaparecidas. Porque se alguém está morto, está morto. Se alguém está desaparecido, você tem esperança. Que pode ser a coisa mais bonita do mundo ou pode arrasar”, confessa Coben. Essa motivação é parecida com a que move Não Conte a Ninguém – um de seus livros mais famosos, publicado aqui em 2009 e adaptado para o cinema francês (com o mesmo título e direção de Guillaume Canet).

Coben é de Newark, cidade de New Jersey que é um verdadeiro celeiro literário: entre outros, lá nasceram Stephen Crane, Allen Ginsberg, David Shapiro, Paul Auster e... Philip Roth. “Ele é meu autor preferido, seus livros falaram comigo mais do que qualquer livro de algum autor de minha própria geração”, lembra Coben. “Não vejo como minha ficção pode se aproximar da dele, mas ele foi uma grande influência – e ainda é. Ele não escreve um livro em três anos, e eu não quero forçá-lo, mas se ele quiser escrever outro, eu ficaria muito feliz. Ele é um gênio raro.”

A conversa com Coben foi na quinta-feira, 21, mesmo dia em que a Amazon iniciou a venda de livros físicos por aqui. Sobre isso, ele preferiu evitar falar. “A razão pela qual eu me tornei um escritor foi que sou um mau homem de negócios”, riu. “Quanto mais o negócio fica louco, mais eu ponho minha cabeça no trabalho e tento escrever o melhor livro que eu puder”, completa. “Se o livro for bom o bastante, alguém vai querer lê-lo, não importa a plataforma.”

Coben concorda que viagens como esta – ele chegou na quinta-feira e vai embora no sábado à tarde – atrapalham seu processo criativo, mas considera uma honra ir longe assim para encontrar leitores. “Quando escritores reclamam disso, eu tenho vontade de dar neles um tapa na cabeça. Se você quer deixar essas pessoas bravas de verdade, não os reconheça na rua.”

Sobre os próximos passos de sua carreira, Coben diz que não tem mais pique para escrever dois livros por ano – um adulto e um da série para jovens leitores (young adult). “Não quero escrever algo só porque eu tenho que escrever”, comenta. E não é bem como se ele precisasse.