AFP PHOTO / Arne Dedert
AFP PHOTO / Arne Dedert

Feira de Frankfurt aposta em tecnologia

Maior evento planetário do mercado editorial vai mostrar, até domingo, que a realidade virtual também é uma forma de expressão para autores

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2016 | 20h55

Maior evento planetário do mercado editorial, a 68.ª Feira do Livro de Frankfurt abriu nesta terça-feira, 18, apostando em novas tecnologias – óculos de realidade virtual, aulas interativas e impressões em 3D são algumas das atrações preparadas para os cerca de 275 mil visitantes que passarão pela Messe até domingo, 23.

O livro do artista de Taiwan Jimmy Liao, chamado Todo o Meu Mundo é Você, por exemplo, ganha vida quando o leitor veste os óculos de realidade virtual, o que lhe permite interagir com a heroína da trama.

Países convidados deste ano, Holanda e região de Flandres criaram suas próprias experiências desse tipo. Uma delas permite que os visitantes vivenciam uma menina ou seu pai após a morte de um membro da família. “A literatura não existe apenas nas páginas de um livro”, diz Suzanne Meeuwissen, da Fundação Holandesa para a Literatura, citando o Prêmio Nobel de Literatura concedido ao cantor e compositor americano Bob Dylan. A realidade virtual é uma nova forma de expressão “para autores e artistas que querem explorar este novo terreno pouco conhecido”, diz Meeuwissen.

A política, como habitualmente acontece nessa feira literária, também foi um assunto dominante – na cerimônia de abertura na noite de ontem, o presidente da Associação Alemã de Livreiros, Heinrich Riethmüller, leu, diante de centenas de pessoas – entre elas, os reis da Bélgica, Matilde e Felipe, o rei Guilherme Alexandre, da Holanda, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz – a carta da escritora turca Asli Erdogan, que, em 2008, esteve em Frankfurt, aproveitando que a Turquia era o país convidado.

“Por trás da pedra, concreto e arame farpado – assim como de dentro um poço –, eu digo a vocês: aqui no meu país a consciência é deixada ao apodrecimento com uma brutalidade inimaginável. De forma rotineira e cega, vem se tentando matar a verdade”, disse o livreiro, citando Erdogan. A autora turca, no entanto, fechou a carta com um fio de esperança: “Eu não sei como, mas a literatura sempre conseguiu derrotar os ditadores”. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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