MARCOS MENDES|ESTADÃO
MARCOS MENDES|ESTADÃO

Exposição sobre Caio Fernando Abreu recebe cerca de 2 mil visitantes no primeiro mês

Em cartaz no Museu da Diversidade Sexual, mostra pode ser vista até janeiro de 2017

Pedro Rocha, Especial para O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2016 | 12h36

Uma exposição no Museu da Diversidade Sexual está trazendo de volta os anos 1980 para o Centro de São Paulo. Caio Mon Amour é uma homenagem aos 20 anos da morte de Caio Fernando Abreu, premiado escritor gaúcho que, nos dias atuais, é um dos mais famosos nomes entre citações literárias nas redes sociais.

Aberta há um mês, a exposição já recebeu pelo menos 1983 pessoas na parte interior da mostra - o Museu da Diversidade é localizado dentro da estação República do Metrô, nas linhas 3 - Vermelha e 4 - Amarela. Antes de entrar, o visitante e os transeuntes da estação já se deparam com algumas das temáticas mais exploradas pelo autor, como a sexualidade e o amor.

Do lado de fora, plotagens com fotos e detalhes sobre a vida do autor são mesclados com fatos sobre o período histórico pelo qual passava o Brasil na época. Ainda são destacadas também citações icônicas de Caio, com alguns textos dos mais famosos livros do autor, como Morangos Mofados e Pequenas Epifanias.

Assim que entra no museu, o visitante se depara com ainda mais citações e fotos do escritor que fazem parte do arquivo de Paula Dip, amiga íntima de Caio que trabalhou como a curadora da exposição, projeções e até mesmo a máquina de escrever do escritor, a sua Lettera 22 apelidada de Virginia Woolf. Além disso, estão em exposição também ensaios fotográficos de Marina Novelli inspirados pela obra de Caio. 

Inicialmente planejada para o Museu da Língua Portuguesa, que foi destruído por um incêndio no ano passado, a exposição encontrou um novo lar no Museu da Diversidade, o que não poderia ter sido mais propício, como conta a curadora de Caio Mon Amour, a jornalista Paula Dip, amiga do escritor e autora do livro Para Sempre Teu, Caio F., com cartas e memórias de Abreu. 

"Eu até brinco que o Museu da Língua Portuguesa incendiou porque o Caio preferia um lugar mais underground", ri Paula Dip. "O Museu da Diversidade é encantador, pequeno, mas tem uma força enorme, fica num lugar muito interessante, no Centro de São Paulo", completa.

Foi lá no Centro, aliás, que Caio viveu durante os três períodos em que morou em São Paulo, o mais longo deles nos anos de 1980. Não por acaso, a exposição conta com um mapa da região indicando as três residências de Caio na cidade e com uma "mini boate" aos fundos, que relembra o ambiente das festas gay de São Paulo no período. Na parede, uma das mais icônicas frases do autor: "O céu é uma boate gay". 

"Agora, no aniversário de 20 anos da morte dele, ele queria estar aqui, perto do Largo do Arouche, um lugar com tradição em São Paulo, com uma plateia LGBT muito grande", fala Paula, que diz realmente acreditar que Caio Fernando Abreu ficaria orgulhoso de ver uma exposição sua num museu voltado para o público gay. 

A efervescência da cultura LGBT do Centro de São Paulo na década de 1980 proporcionou, aliás, um espaço para que o autor aprofundasse na questão erótica, segundo Paula.  "A postura dele em relação a vida, do ponto de vista erótico, era muito avançada para a época, a gente vivia nos anos 80, numa ditadura. Os homossexuais eram presos a torto e a direito", explica a jornalista.

O diretor do Museu da Diversidade, Franco Reinaudo, também acredita ser importante falar da questão da sexualidade - e da homossexualidade - na obra de Caio. "O que a gente tenta fazer no Museu é desmistificar o preconceito em relação à sexualidade na obra do autor", explana. 

Reinaudo esclarece ainda que a intenção da exposição é justamente remontar o ambiente do Centro de São Paulo na década de 1980. "A gente recuperou essa questão da vida noturna de São Paulo nos anos 80, por isso a gente tem um mapa com as boates e os bares onde ele, e a maioria da população LGBT, frequentava pelo Centro", elucida. 

A exposição Caio Mon Amour vai ficar em cartaz no Museu da Diversidade Sexual até 28 janeiro de 2017. A mostra pode ser visitada de terça a domingo, das 10h às 18h. O acesso, dentro da estação República da Linha 3 - Vermelha do Metrô, é pela saída da Rua do Arouche.  

 

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