Reprodução
Reprodução

Evento leva Franz Kafka a leitores e pesquisadores

1ª Kafkiana acontece na UFRJ e quer ir além da academia

Andre Klojda, Especial para o Estado

13 Novembro 2017 | 08h00

Nestas segunda e terça-feira, 13 e 14, a Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai sediar a 1ª Kafkiana, que visa congregar pesquisadores e leitores do escritor Franz Kafka. A iniciativa é do projeto que leva o nome do autor tcheco, vinculado ao Projeto Fortuna, idealizado pelo professor Ricardo Pinto de Souza.

O mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura (PPGCL/UFRJ) Pablo Rodrigues, um dos organizadores do evento, afirma que as expectativas são altas. “Estamos profundamente animados e ansiosos para esse encontro”, diz. Segundo Rodrigues, existe o desejo de que a Kafkiana se torne um acontecimento regular. “Em outros países, temos inúmeras sociedades que não apenas congregam os admiradores de Kafka, mas também permitem, por meio das suas atividades, uma leitura mais local do texto kafkiano.”

Apesar de intitular-se encontro de pesquisadores, Rodrigues informa que a intenção do encontro é mais ampla: “A Kafkiana se coloca como divulgadora da literatura de Kafka, logo, deseja que seu público vá além das paredes da academia”. Alunos de graduação e pós-graduação selecionados apresentarão seus trabalhos, e os ouvintes podem se inscrever online até o dia do evento.

Kafka hoje. A recepção do Projeto Franz Kafka - a melhor possível, nas palavras de Pablo Rodrigues -, iniciado em 2015, é indício de que o interesse pelo autor ainda é atual. A Kafkiana é uma oportunidade de consolidar o sucesso e mostrar que esse interesse existe Brasil afora. “Recebemos trabalhos dos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Ceará, do Espírito Santo, de Minas Gerais, e também do Distrito Federal”, afirma.

O pesquisador enxerga a prosa de Kafka como “um texto que denuncia os nossos dilemas sociais, nossa difícil relação com o Estado, com a burocracia e com a família”. Assim como no caso de Josef K., de O processo, cujo sofrimento é ter sido supostamente caluniado sem ter feito mal algum, dramas semelhantes ainda estão à nossa volta. “E não é esse o sentimento que surge em nós ao nos deparamos com as primeiras sentenças da literatura de Kafka? Não somos nós em algum momento de nossa existência o pobre Gregor Samsa em sua condição de inseto monstruoso?”, questiona, evocando também A Metamorfose.

Nascido e criado na virada para o século XX, época de grande tensão na cidade de Praga, como judeu de língua alemã Kafka transitou por diferentes esferas da vida social e cultural da capital tcheca. Essa conjuntura, somada à personalidade altamente sensível e ao ambiente familiar dominado pelo pai, fez com que o escritor meditasse sobre temas e sentimentos comuns a todos os tempos. “Há um ‘K’ de Kafka no Oriente Médio, na situação dos refugiados, na atual conjuntura global, dos moradores dos grandes centros urbanos e das áreas afastadas dos grandes centros. Há um ‘K’ de Kafka em todos nós”, analisa Rodrigues. Enquanto o ser humano continuar humano, talvez o “K” de Kafka sempre esteja presente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.