José Patricio/Estadão
José Patricio/Estadão

Editora Aleph chega aos 30 anos com grande crescimento

Clássicos da ficção científica são publicados de forma exclusiva

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2015 | 03h00

Quando Adriano Fromer, atual publisher da Editora Aleph, visita feiras literárias internacionais e apresenta o catálogo de sua empresa, concentrado na ficção científica, seus colegas de profissão estrangeiros não acreditam - ou questionam se a Aleph é um grande conglomerado editorial brasileiro. Os motivos têm nome e sobrenome: Philip K. Dick, William Gibson, Isaac Asimov, Anthony Burgess (Laranja Mecânica), Frank Herbert (Duna), Arthur C. Clarke (2001) e mais recentemente Timothy Zahn (Star Wars), todos no seu catálogo.

A seleção impressiona mesmo. A Aleph, que completou 30 anos em 2014 e passa por uma das melhores fases de sua história, começou a investir a sério no gênero pelo qual hoje é reconhecida, a ficção científica, pouco depois de Fromer assumir o controle da editora das mãos de sua mãe, Elizabeth Fromer, há 12 anos. Agora, a construção do catálogo e do público leitor do gênero - secundário nos anos 1990, mas que cada vez mais ganha um status ‘cool’ - começa a produzir frutos significativos. De 2013 para 2014, o faturamento da editora cresceu impressionantes 98%. Em dezembro, entrou pela primeira vez na lista dos mais vendidos do PublishNews, site especializado no mercado editorial, com Star Wars - Herdeiro do Império, de Timothy Zahn, grande responsável pelo número. E a animação não parece que vai arrefecer em 2015.

Estão previstos para este ano 45 lançamentos - 25 a mais do que em 2014; em 2013, foram 16 -, a criação de um selo infantil, livros de literatura young adult, cultura pop, “soft business” e não ficção. Entre eles, a obra How Star Wars Conquered the Universe: The Past, Present, and Future of a Multibillion Dollar Franchise, de Chris Taylor - o universo Star Wars é a principal aposta da editora. Outro livro que sai por aqui em 2015 é Alien, de Alan Dean Foster, novelização dos filmes.

“Está no DNA da Aleph: o pioneirismo”, diz Fromer, em uma visita do Estado à sede da editora, uma casa em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. “Fazer aquilo que ninguém está fazendo. Hoje em dia tem nomes chiques, como inovação, mas essa é a palavra. Pensar: ninguém está fazendo isso aqui, vamos arriscar”, completa - foi assim com a ficção científica. Somando um público que não é lá tão grande, mas muito fiel, apuro editorial, com capas, edições e traduções caprichadas, o negócio foi ganhando força. Hoje, a Aleph é a principal editora de ficção científica no Brasil.

“O mais interessante desse crescimento é que foi sem nenhum best-seller. Às vezes, no mercado editorial, você acerta um livro, que faz crescer 200%. Aqui, não”, conta Fromer, antes do estouro de Herdeiros do Império.

Mas esse não é o único gênero com o qual a empresa trabalha. Por exemplo, um dos livros com maior número de exemplares vendidos na história recente da editora é Aprendendo Inteligência, de Pierluigi Piazzi - coincidentemente pai de Fromer e fundador da Aleph. A obra é uma espécie de manual para estudantes, que entra numa categoria de livros de desenvolvimento humano e ciência, correspondente a 34% do faturamento total, com livros sobre séries de TV, cultura da convergência, novas mídias e cultura pop. Em 2015, por exemplo, a editora vai publicar biografias inéditas no Brasil de Lou Reed e Iggy Pop.

Os robôs e as naves espaciais, na verdade, voltaram ao foco da editora por volta de 2002 - Piazzi é um leitor voraz de ficção científica e havia feito uma investida no gênero no início dos anos 1990, mas a coisa não funcionou. “O paradigma era: ficção científica não vende”, conta Fromer. “Era estigmatizada. Nessa nova fase, foi um consultor que chegou com um plano editorial, mostrou que ia acontecer e nós topamos. Foi aquele DNA do pioneirismo. O livro marco foi Neuromancer, de William Gibson.”

Aí começou o trabalho de construção do catálogo - muitos dos mestres do gênero estavam fora das prateleiras brasileiras - e do público leitor. Fromer diz que tenta vender os livros apenas como boa ficção. O fato de haver robôs, ou se passar em outro tempo, outra galáxia, é quase secundário - os textos de Philip K. Dick, por exemplo, comprovam a tese. A internet ajuda na divulgação. 

“Agora que a gente formou um público, partimos para livros mais contemporâneos de ficção científica. Temos muitos autores vivos, como John Scalzi e Joe Haldeman”, diz, animado. Mas o entusiasmo cresce quando fala dos livros de Guerra nas Estrelas.

“Este é o momento e com isso a gente espera crescer mais 50% também em 2015. É bem interessante que os 30 anos da Aleph seja marcado por uma fase de crescimento exponencial”, registra ainda.

Existe a ideia também - como se fosse uma “função social”, segundo o editor - de publicar autores nacionais. “Nós temos planos e analisamos obras de literatura nacional, mas estamos no processo de recolocação dos clássicos. É como se a gente incluísse um autor nacional sem ter Machado de Assis. A ideia é, provavelmente no fim do ano, ou começo de 2016, começar com publicações de literatura fantástica nacional”, acrescenta Fromer.

Números

98% foi o crescimento do faturamento da editora entre 2013 e 2014. No ano anterior, o índice foi de 31% - como é o costume no meio, a empresa não divulga os valores totais em reais

45 novos títulos devem ser lançados em 2015, mais do que o dobro (20) de 2014 - em 2013 foram 16. A editora tem 19 funcionários e conta com 25 autores em catálogo

87 livros compõem a estante da editora - os seis selecionados nesta página dão uma amostra dos principais campos de atuação da Aleph: ficção científica, desenvolvimento humano e cultura pop

TRILOGIA DA FUNDAÇÃO - BOX

Autor: Isaac Asimov

Tradutores: Fábio Fernandes e Marcelo Barbão (728 págs.,R$ 117)

O ATIVISTA QUÂNTICO - PRINCÍPIOS DA FÍSICA QUÂNTICA PARA MUDAR O MUNDO E A NÓS MESMOS

Autor: Amit Goswami

Tradutor: Marcello Borges (280 págs.,R$ 44)

2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO

Autor: Arthur C. Clarke

Tradutor: Fábio Fernandes (336 págs.,R$ 54)

O LIVRO DOS MORTOS DO ROCK

Autor: David Comfort Tradutores: Ricardo

Giassetti & Roberta Bronzatto (408 págs.,R$ 55)

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