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Dentista investe em cursos internacionais para ser best-seller

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 20h 58

FML Pepper foi aos Estados Unidos, fez cursos, leu livros e se lançou na literatura por meio da autopublicação

A dentista FML Pepper, de 43 anos, mandou os originais de seu primeiro livro para algumas editoras e depois de esperar por três meses - e em vão - uma resposta positiva ou negativa, resolveu publicar ela mesma sua obra. 

Ao contrário de muitos aspirantes a escritor que fazem uma edição do autor ou escolhem uma plataforma e apenas incluem seus livros lá, ela tomou o caminho mais longo: foi aos Estados Unidos, estudou o mercado editorial e a lógica do best-seller, aprimorou seu projeto, autopublicou sua obra, conquistou leitores e chamou a atenção de uma editora tradicional.

Não Pare! e Não Olhe! foram lançados pela Kindle Direct Publishing (KDP), plataforma de autopublicação da Amazon, e já venderam, respectivamente, cerca de 4 mil (desde janeiro de 2013) e mais de 2 mil (desde outubro). Nesta segunda, Não Olhe! era o 17.º e-book mais vendido lá, mas no domingo - ela participou da Bienal do Livro no fim de semana - , ele chegou ao segundo lugar.

Seu terceiro livro, Não Fuja!, será publicado em dezembro nos mesmos moldes dos dois primeiros. A novidade é que Pepper acaba de fechar com a editora Valentina a publicação da trilogia em papel a partir de abril de 2015.

“A Pepper é uma autora brasileira top 100 da Amazon que faz o tipo de literatura norte-americana que os leitores não encontram na literatura brasileira: construção dos personagens, histórias com roteiro (início, meio e fim). Ou seja, ela escreve como as autoras best-seller do gênero. Quando falamos com ela, soubemos que duas grandes editoras já tinham entrado em contato e manifestado interesse. Fizemos proposta para vir para uma editora menor e mais participativa, mais dedicada ao autor, e inclusive abrimos mão dos direitos dos e-books. Era uma exigência dela, que não seria aceita pelas grandes editoras”, explica Marcelo Fraga, diretor da Valentina.

Confira a entrevista concedida por Pepper.

Antes de decidir publicar pela Amazon você tentou lançar seu livro por uma editora tradicional, no formato impresso?

Sim, mas não me iludi com um caminho encantado no processo e jamais esperei o pote de ouro no final do arco-íris. Sempre fui muito pé no chão e ciente das mínimas oportunidades para um autor iniciante, principalmente em um país onde pouquíssimo valor se dá à leitura, como é o caso do Brasil. Até o "boom" dos autores autopublicados, as grandes editoras estavam interessadas apenas em autores nacionais reconhecidos ou best-sellers internacionais. Tentei os meios tradicionais por apenas uns três meses e, conforme esperava, não obtive qualquer resposta. Dei de ombros e tomei a melhor de todas as atitudes: passei para o passo seguinte, a autopublicação.

Por que ir para os EUA?

Todos os casos de sucesso na autopublicação vinham de lá e eu queria me tornar um deles. Assisti diversas conferências literárias, estudei o mercado editorial, aprofundei-me no entendimento da mecânica dos bestsellers da atualidade, li muitos livros sobre autopublicação, assinei revistas internacionais sobre o assunto, corri atrás. Por duas vezes viajei para Nova York para participar do Pitch Slam da Writer's Digest, uma espécie de venda da sua história em três minutos. Fui a única brasileira a participar e consegui o grande feito (mesmo com um inglês mais ou menos) de vender a ideia de Não Pare! para 13 dos 15 agentes americanos da banca. 

O que aprendeu de mais importante lá?

Que sua plataforma fala alto demais, talvez até mais do que suas histórias. Um escritor não pode apenas contar com a sua escrita fenomenal e se esconder em uma caverna no meio do deserto do Saara. Ele é uma marca, um símbolo. Num mundo onde as mídias sociais são imprescindíveis, sensacionais e, ao mesmo tempo, massacrantes, você precisa fazer com que sua voz se sobreponha às milhares ao seu redor. E, uma vez que conseguir se fazer ouvir, saber para quem você fala e como guiar esses diálogos. Os leitores dos dias atuais têm a necessidade de se identificar com o escritor muito antes de apreciar a sua escrita ou história. O segundo ensinamento veio de tabela: a sorte acompanha os preparados, como tão espetacularmente diz Malcom Galdwell em Outliers. A escrita é uma profissão, um ofício, e que, portanto, precisa de empenho, estudo e muitas horas de dedicação para evoluir e se tornar forte e interessante por muito além de um único livro ou modismo.

Publicar no formato impresso estava nos planos? Por que publicar no papel se o livro está indo bem no digital?

Se proporcionalmente eu conseguisse reproduzir o sucesso que tive com as vendas digitais de Não Pare! e Não Olhe! em um país com um mercado literário adulto como os EUA, publicar no formato impresso poderia não ser uma ideia tão interessante porque lá um autor é capaz de ter uma renda mensal excelente apenas com a venda dos seus e-books. Mas, em se tratando do embrionário mercado de vendas de livros digitais do Brasil, ter uma boa editora por trás da sua obra é fundamental para que sua história possa atingir boa parte da parcela da população que gosta de ler (que infelizmente também é bem pequena por aqui).

O que a autopublicação te proporcionou?

Tudo. Foi graças a ela que as minhas histórias ganharam força e se tornaram atraentes aos olhos das grandes editoras. Mais do que isso, ela selou meu nome como uma aposta promissora e me deu a chancela para fechar um contrato híbrido com a Valentina.  

Que dicas daria para quem tem um livro na gaveta ou quer escrever um?

Não tenha medo de errar. Se cair, levante-se, sacuda a poeira e veja que pode ir até mais longe do que imaginava. Mas, a principal dica que daria para quem está iniciando é o meu mantra de sempre: a distância entre o sonho e o sucesso depende apenas do caminho que decidir tomar. Foque nos seus objetivos e não desista dos seus sonhos porque se você não lutar com paixão serão os seus sonhos que desistirão de você.

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