Corpo de Rose Marie Muraro, ícone da luta feminista, é cremado

Escritora e editora lutava contra um câncer reincidente e morreu aos 83 anos, sábado, 21, no Rio de Janeiro

O Estado de S. Paulo

22 Junho 2014 | 17h44

Foi cremado neste domingo, dia 22, no Memorial do Carmo, Rio de Janeiro, o corpo da escritora e feminista Rose Marie Muraro, que morreu no sábado, aos 83 anos. A autora, uma das principais representantes do movimento feminista no Brasil, estava internada no Hospital São Lucas, em Copacabana, desde o dia 12. Lutando contra um câncer na medula óssea havia mais de dez anos, ela entrou em coma no dia 15 e morreu devido a uma infecção urinária que se generalizou.

Pelo Twitter, a presidente Dilma Roussef lamentou a morte da feminista, classificada por ela como “uma intelectual notável, uma mulher determinada em tudo, na luta contra a barreira da cegueira, na luta pelas suas ideias”. Rose Marie, que nasceu praticamente cega, foi reconhecida em 2005 pelo governo federal como patrona do feminismo brasileiro. Ela estudou Física, mas se dedicou profissionalmente à edição de livros. Como autora, publicou 35 livros, entre eles Sexualidade da Mulher Brasileira e Corpo e Classe Social no Brasil (1996).

Por trabalhar numa editora católica, a Vozes, sua atuação como editora ligada à Teologia da Libertação passou a incomodar a Igreja, especialmente após a publicação de Por Uma Erótica Cristã. Em 1986, ela e Leonardo Boff foram demitidos da editora depois de 17 anos de trabalho conjunto. Os dois escreveram juntos o livro Masculino/Feminino (2002), que estuda a relação entre os gêneros. 

Em 1999 foi publicada sua autobiografia, Memórias de Uma Mulher Impossível, também o título de um documentário de Márcia Derraik, mosaico com depoimentos da própria Rose Marie e intelectuais que testemunharam sua militância pela emancipação das mulheres. Militante, ela recebeu do Senado Federal o prêmio Teotônio Vilela, em comemoração aos 20 anos de anistia no Brasil.

Além de teórica que estudou o feminismo, Rose Marie Muraro foi ativa na criação de instituições como o Centro da Mulher Brasileira, fundado em 1975 para difusão das ideias feministas. A escritora carioca, nascida em 11 de novembro de 1930, deixa 5 filhos e 12 netos.

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