Brasil é eliminado da Copa do Mundo de Literatura

‘Budapeste’, de Chico Buarque, foi bem nos dois jogos que participou, mas sucumbiu frente ao ‘Noturno do Chile’, de Roberto Bolaño

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

30 Junho 2014 | 17h21

Não deu para Chico Buarque. Ele e seu Budapeste foram eliminados, nesta segunda-feira, 30, da Copa do Mundo de Literatura organizada pelo Three Percent, programa da Universidade de Rochester voltado à difusão da literatura estrangeira nos Estados Unidos. O jogo foi disputado, mas o adversário era realmente poderoso: o Noturno do Chile, de Roberto Bolaño, levou a melhor e segue na competição.

Quem “apitou” o jogo foi Jeffrey Waxman, que atualmente trabalha na editora independente Other Press. “Buarque é um escritor de escritores e suas sentenças rasgam o campo – a página! – indo para frente e para trás, quase impedidas na medida em que avançam. Ele sabe o que está fazendo”, diz, sobre Budapeste.

Apesar de dizer que amou Budapeste, Waxman se rende ao romance de Bolaño. “Eu sinto que Budapeste foi escrito para mim, mas Noturno do Chile foi escrito para a eternidade”, compara.

“Mas novamente, esta é a verdade: quando se lê um bom romance, o leitor pode se maravilhar com a elegância de sentenças individuais, com a lenta construção de um enredo, de um personagem. Quando se lê um grande romance, não há frases que não sejam parte do todo, não há enredo ou personagem para se admirar – há um livro”, diz, entusiasmado.

“Um grande romance não é um castelo de cartas, é um palácio do prazer feito de ouro pra .... E enquanto nós mortais podemos aspirar ao delicado trabalho de escrever algo esperto e maravilhoso e astuto, não podemos erguer nenhum palácio de ouro para saltar dentro da existência. Não do jeito que Bolaño pode. Merda, eu deveria estar fazendo metáforas de esportes. Quem é bom? Buarque é um escritor de nível mundial, um Suárez mordendo os ombros dos grandes jogadores. Bolaño é Pelé-Beckham-Ronaldinho”, conclui.

Em Noturno do Chile, um padre poeta e crítico literário tece reflexões sobre sua vida numa cama à beira da morte. O enredo aparentemente simples e as pouco mais de 100 páginas se transformam num livro intenso em que Bolaño consolida a criação de seu próprio universo ficcional.

Budapeste, de Chico Buarque, é a narrativa de um ghost-writer que acaba num intrincado jogo simétrico dentro da própria vida, entre dilemas profissionais e amorosos, que por algum motivo vai parar em Budapeste. O livro venceu o Prêmio Jabuti de melhor livro em 2003, e também o Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, em 2005.

Ambos os livros foram publicados no Brasil pela editora Companhia das Letras.

Entre outros livros, seguem na disputa Austerlitz, de W. G. Sebald, O Mapa e o Território, de Michel Houellebecq e The Pale King, de David Foster Wallace.

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