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Benjamin Moser vem para a Flip 2016

Autor, editor e tradutor está confirmado para a próxima edição em Paraty e vai falar sobre o Brasil e sobre Clarice

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Guilherme Sobota,
O Estado de S.Paulo

27 Março 2016 | 15h46

Depois de confirmar a presença da Prêmio Nobel de Literatura de 2015, Svetlana Aleksiévitch, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) tem outro convidado agora anunciado para a próxima edição: Benjamin Moser.

O editor, tradutor e escritor norte-americano, especialista e divulgador da obra de Clarice Lispector, vem ao Brasil com três livros que serão lançados até a Flip, que neste ano ocorre entre 29 de junho e 3 de julho.

Moser vai lançar pela editora Planeta (no novo selo Crítica) o livro Auto-Imperialismo, uma reunião de três ensaios sobre o Brasil. Um deles é Cemitério da Esperança, já lançado em e-book por aqui, em que ele analisa o que chama de “histórica destruição da cidade brasileira”, que segundo o autor tem tudo a ver com o atual momento político do País.

“É por isso que estou publicando esse livro agora, em vez de deixá-lo numa gaveta. O Brasil está querendo uma revolução, ou contra a Dilma ou a favor, mas a retórica é a mesma. A retórica quer escapar da situação do País por uma coisa meio de mágica”, explica o autor, por telefone, de Utrecht, na Holanda, onde vive. Ele diz que essa retórica, antes, se dava nas questões urbanas. “As pessoas pensavam ‘vamos deixar de ser o Brasil, Pernambuco ou São Paulo, e vamos virar Paris, Miami, Nova York’. Mas ninguém nunca disse ‘vamos virar Recife, vamos ficar do jeito que estamos e melhorar’”, compara – e é mais ou menos isso que ele diz que o Brasil precisa: “Não é uma revolução, o Brasil precisa do contrário, instituições e estabilidade”.

O “autoimperialismo” do título – uma proposta de conceito de Moser – se refere então ao fato de continuamente “o Brasil invadir o Brasil”. “Não sou partidário de ninguém, todo mundo sabe que o PT é muito ruim, ou pelo menos muita gente no PT. Mas a Madre Teresa de Calcutá não está em outro partido. O jeito é aprender a olhar o País com mais calma, é nisso que estou tentando contribuir. Mostrar um quadro. É um país que eu tenho a impressão que se odeia profundamente”, lamenta.

Os outros dois volumes que Moser lança no Brasil ainda neste semestre se referem a Clarice Lispector. A partir do dia 2 de maio, chega às livrarias, pela Rocco, a edição Todos os Contos, organizada de forma inédita pelo norte-americano. O livro foi lançado primeiro nos EUA, em julho de 2015, e ganhou destaque inédito para um escritor ou escritora brasileiro quando o The New York Times deu uma ampla cobertura para o lançamento.

“Lispector é espantosamente estranha, mas suas percepções aparecem tão rápido, desviam-se de maneira tão selvagem entre o mundano e o metafísico, que depois de um tempo você não sabe onde está, tanto no livro quanto no mundo”, escreveu o crítico Terrence Rafferty. No mesmo jornal, o jornalista Larry Rother escreveu que a autora, nos seus escritos, “rapidamente se move para um reino no qual os sons parecem se tornar discordantes, onde a paisagem vacila, com as cores assumindo tons esquisitos”.

“Nos EUA, um livro brasileiro nunca tinha tido tanto sucesso. A repercussão foi além das minhas expectativas”, diz Moser.

A repercussão positiva também é resultado de um trabalho “missionário” do autor, que começou há pelo menos 12 anos, quando ele iniciou sua empreitada de escrever a biografia da autora, também lançada nos EUA, e com a tradução e publicação de cinco romances – uma nova edição da biografia vai sair por aqui pela Companhia das Letras.

Com a nova edição dos contos, Moser acredita que até quem conhece bem a autora poderá ter uma nova percepção sobre sua obra. Edições na Alemanha, França, Portugal, Espanha e Turquia também estão previstas. “Não é todo mundo que é sensível ao trabalho da Clarice. É como montar um partido político, você tem que saber quem pode contribuir com o quê”, compara o autor. “Se você soubesse quantos e-mails eu já mandei na vida em prol da Clarice... é uma loucura”, ri.

O autor agora trabalha numa biografia de Susan Sontag, a ser publicada em 2017. “Ela é espetacularmente brilhante e totalmente maluca. Mas esse livro está cheio de fofoca porque ela tinha casos, conhecia ou brigava com metade da intelectualidade mundial”, ri o autor. “Vai ser um livro muito diferente do da Clarice.”

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