Marcelo Nakano/Divulgação
Marcelo Nakano/Divulgação

Beatriz Bracher, Rafael Gallo e Marcelo Maluf vencem Prêmio São Paulo de Literatura 2016

'Anatomia do Paraíso', de Bracher, foi eleito o melhor romance de 2015; Gallo e Maluf ganharam como autores estreantes

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2016 | 21h04

Anatomia do Paraíso acaba de render a Beatriz Bracher seu segundo grande prêmio do ano. Primeiro, ele venceu o estreante Prêmio Rio de Literatura, no valor de R$ 100 mil. Na noite desta segunda-feira, 10, o livro foi reconhecido pelo Prêmio São Paulo de Literatura como o melhor romance publicado em língua portuguesa no Brasil em 2015. Bracher, que desbancou nomes como Mia Couto, Raimundo Carrero e João Almino, ganhou mais R$ 200 mil.

"A gente se prepara para perder, não para ganhar", brincou a escritora ao receber o troféu. Depois, ela disse ao Estado que este foi a obra mais difícil que escreveu. "Acho que é um livro bom e não sei se vou conseguir escrever outro assim. A leitura pode parecer difícil, mas não tem nenhum hermetismo ali."

Para o júri, formado por Adriano Schwartz, Elisabeth Brait, Estevão Azevedo, Heloísa Jahn e Ronald Polito de Oliveira, trata-se de um "livro intenso, com personalidade desde a primeira página, inteligente e provocador, escrito em linguagem bela e refinada, com descrições precisas, visuais, associadas à construção da tensão".

Anatomia do Paraíso (34) conta a história de um jovem estudante de classe média que escreve uma dissertação de mestrado sobre Paraíso Perdido (1667), poema épico de John Milton que narra a queda do homem e a expulsão de Adão e Eva do paraíso.

Outros dois escritores foram premiados ontem pela Secretaria de Estado da Cultural, em cerimônia que contou com a presença do governador Geraldo Alckmin. Vencedor do Prêmio Sesc em 2012 com os contos de Réveillon e Outros Dias, sua estreia literária, Rafael Gallo foi premiado, agora, por seu primeiro romance. Sensível história sobre uma mãe às voltas com a decisão de encerrar as buscas por seu filho desaparecido três décadas antes, aos cinco anos, Rebentar (Record) foi eleito como a melhor obra da categoria Estreante com menos de 40 anos. 

Gallo ganhou R$ 100 mil e, ao agradecer, comentou dois casos em que ele foi ajudado e ajudou durante o processo de escrita e apresentação de Rebentar. "Fiz entrevistas com algumas mães de filhos desaparecidos e Vera Lúcia, fundadora da organização Mães em Luta, me ensinou tudo. Depois, com o livro pronto, ouvi de Lia, mãe de Pedrinho, do conhecido caso, que o livro a ajudou a lidar com a volta do filho", disse.

"Às vezes, a condução do enredo nos dá a impressão de que o autor vai escolher alguma saída redentora, mas ele não faz isso e sustenta de modo vigoroso, por quase 400 páginas, essa história de um aprendizado impossível", justifica o júri.

Já Marcelo Maluf venceu a categoria Estreante com mais de 40 com A Imensidão Íntima dos Carneiros (Reformatório). O livro acompanha a tentativa de um neto de imaginar o avô, morto antes de seu nascimento. A história se alterna entre os anos 1920 e 2013, entre as montanhas de Zhale, no Líbano, e Santa Barbara D'Oeste, no interior de São Paulo. 

"Agradeço meus antepassados. Contei com a presença deles na trajetória de escrita desse romance", disse.

Para o júri, seu livro é, "ao mesmo tempo delicado, sobretudo na linguagem, e forte, na ideia de que toda tragédia perpetua, ainda que de forma não aparente. O autor bebe com felicidade incomum na tradição da narrativa e das fábulas para dar conta de uma trama que se passa em tempos e realidade tão distante".

VENCEDORES

Melhor romance

'Anatomia do Paraíso', de Beatriz Bracher

Melhor romance de autor estreante com menos de 40

'Rebentar', de Rafael Gallo

Melhor romance de autor estreante com mais de 40

'A Imensidão Íntima dos Carneiros', de Marcelo Maluf

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