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Autobiografia de Pablo Neruda é relançada com textos inéditos

Nova edição teve lançamento no Chile para homenagear os 113 anos de autor

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13 Julho 2017 | 16h29

A Fundação Pablo Neruda lançou no Chile uma nova edição da autobiografia Confieso que he vivido (Confesso que vivi) nesta quarta-feira, 12, com 18 textos e notas inéditas do mais famoso escritor do país.

O lançamento ocorreu na data da celebração dos 113 anos do dia do seu nascimento.

Neruda começou a escrever a autobiografia em agosto de 1972 e que queria publicá-la em 1974 para celebrar os seus 70 anos. No entanto, a morte prematura do escritor, 12 dias após o golpe de Estado de setembro de 1973, impediu que a obra fosse finalizada.

Sua esposa, Matilde Urrutia, levou os textos para a Venezuela e, com a ajuda do escritor Miguel Otero Silva, terminou a obra em 1974 - que foi levada "clandestinamente" para o Chile.

Os materiais inéditos do Nobel de Literatura de 1971 foram encontrados nos arquivos da Fundação Pablo Neruda e foram compilados pelo diretor da instituição, Darío Osses.

Entre os achados, estão um caderno fechado em junho de 1973 com anotações manuscritas sobre os temas que deveria incluir no livro e o relato de seu regresso à Temuco, cidade onde passou a infância. Também foram encontradas anotações sobre a relação que tinha com um de seus melhores amigos, o escritor espanhol Federico García Lorca.

De acordo com Osses, uma das anotações que lhe chamou a atenção, foi um papel em que estava escrito "este artigo foi escrito para ser incluído nas Memórias".

"No entanto, Pablo teve dúvidas por ter que falar, inevitavelmente, sobre o tema da homossexualidade do autor do 'Romancero Gitano'. Ele se perguntava 'está o público suficientemente desprovido de preconceitos para admitir a homossexualidade de Federico sem manchar seu prestígio'", disse Osses sobre a anotação.

Para a Editorial Planeta, que reeditou a obra no Chile, o livro de mais de 500 páginas contribui para aprofundar e apresentar em grande quantidade as "confissões" da vida de Neruda, desde a narração sequencial de alguns feitos como a crônica de viagens e as reflexões do escritor.

"Neruda foi um autor privilegiado de toda a história do século 20 e um poeta de muitas vidas, que se passam pela amplitude do mundo, que transitam no meio da multidão e na intimidade", disse a editora. 

 

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