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Literatura

As frases e os poemas mais marcantes de Manoel de Barros

Relembre os clássicos do poeta

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O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2014 | 10h55

FRASES

"As coisas que não existem são as mais bonitas"

"Prefiro as máquinas que servem para não funcionar"

"Não gosto de dar confiança para a razão, ela diminui a poesia"

"A poesia não existe para comunicar, mas para comungar" 

"Desconfio do verso que fulgura; em poesia, o opaco é mais luminoso que o brilhante. " 

"Poesia é um lugar onde a gente ainda pode fazer com que um absurdo seja uma sensatez. "

"As coisas me ampliaram para menos. " 

"Me exibo através de ficar sob as cinzas. Sou sempre uma pose falsa tirada no escuro. Me exibo de costas. Eu faço o nada aparecer. "

"Tentei trabalhar como advogado, mas não funcionou. Na minha primeira audiência como advogado, fiquei tão nervoso que simplesmente vomitei em cima do processo."

"É claro, o Machado. Ele é uma glória. Mas o prosador que hoje eu prezo mais que todos é o Dalton Trevisan. O Dalton é um escritor da linguagem, que modifica sempre, que enxuga cada vez mais. Para o Dalton, a linguagem é mais importante que o personagem."

"É verdade, eu gozo com as palavras. Já escrevi: "Meu gozo é no fazer." É no fazer o verso que o poeta goza. Eu tenho isso: todo verso meu, eu gozei nele. Não escrevo muito porque eu demoro muito para gozar. Eu trabalho muito em cima das palavras, bolino muito as palavras, acaricio. "Uma palavra tirou o roupão para mim", eu escrevi. E é exatamente isso o que acontece. "

"É que as minhas palavras se dão melhor no cisco do que no asfalto. Se dão melhor nas águas tristes do que nos salões. (...)Eu não comando as minhas palavras. Elas que gostam do chão e das coisas desimportantes. As palavras me elaboram."

"Somos dois. Um é biológico, outro é letral. Ambos somos verdadeiros. Um é de sangue. Outro é de palavras. O de sangue é comum: come, bebe água e até quebra copos. O ser letral gosta de fazer imagens pra confundir as palavras. E gosta de usar palavras pra destroncar as imagens."

"Sou muito egoísta e narcisista. Meu mundo sou eu em carne e letras. Sou o que produzo e o que não consigo produzir. Sofro um pouco nessa parte de não poder produzir."

"Eu tenho pela palavra a mesma fascinação que a lesma tem pelas pedras. E que os lagartos têm pela solidão das pedras."

"Eu sou minha imaginação e meu lápis. Quando o lápis acerta um erro, ele percebe e grita por uma borracha. Visto que eu seja atrasado por não usar computador."

POEMAS

"Sob o canto do bate-num-quara nasceu Cabeludinho

bem diferente de Iracema

desandando pouquíssima poesia

o que desculpa a insuficiência do canto

mas explica a sua vida

que juro ser o essencial

- Vai desremelar esse olho, menino!

- Vai cortar esse cabelão, menino!

Eram os gritos de Nhanhá." 

(Primeiro poema de Poemas concebidos sem pecado, seu primeiro livro)

INCIDENTE NA PRAIA

"Eram mil corpos fora de casa

E um menino que atravessava a infância

De automóvel, no asfalto.

Eram bêbados, eram operários

Que sendo governados pelas mesmas leis

Cochilavam sob as árvores da rua.

Era um burro de homem projetado

Perpendicularmente aos edifícios

Que oferecia sorvete aos maiôs mais simpáticos

Nisto, o de papoila na lapela,

Delicadamente,

Vai até a onda e faz sua mijadinha

- É um garçom!

- É um poeta!

- É um jaburu!

Enquanto uns discutiam, 

Outros iam tratar da vida

Isto é: iam jogar peteca."

(Do livro Face Imóvel)

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