Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Antonio Cicero é eleito imortal da Academia Brasileira de Letras

Por 30 votos a 4, o poeta, compositor e filósofo assume a cadeira 27, que era ocupada por Eduardo Portella

Constança Rezende e Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

10 Agosto 2017 | 16h48

RIO - A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu ontem, 10, por 30 votos a 4, o poeta e filósofo Antonio Cicero para a cadeira número 27, que era do professor e escritor Eduardo Portella. Portella morreu no dia 3 de maio. Com essa eleição, o quadro de imortais volta a ficar completo – são 40 vagas.

Concorreram dez candidatos, e Cicero, que havia perdido duas vezes antes, era considerado o favorito desde o início do processo. Ele venceu Alfredo Sirkis, Cláudio Aguiar, José Itamar Abreu Costa, Eloi Angelos G. D’Aracosia, Adenildo de Lima, Delasnieve Daspet, Felisbelo da Silva, Luís Carlos de Morais Junior e Helio Begliomini.

 Ao receber os cumprimentos de acadêmicos e amigos, Antonio Cicero contou que já frequenta a casa há dez anos, dando e assistindo a conferências. 

“A Academia está se transformando o tempo todo, e sempre aberta ao contemporâneo. O ambiente é bom e tenho amigos lá”, celebrou. Com o poeta Geraldo Carneiro, ele integrará a ala da música popular na ABL. 

Antonio Cicero é carioca e tem 71 anos. Seu nome ficou conhecido na música popular nos anos 1980, por ser parceiro de Marina Lima, sua irmã, em sucessos como Fullgás, Virgem, Acontecimentos, Charme do Mundo e Pra Começar. Marina musicava seus poemas sem que ele soubesse. O poeta descobriu, gostou do resultado, e assim nasceu a parceria. 

Ele também compôs com João Bosco, Waly Salomão, Orlando Morais, Adriana Calcanhotto e Frejat, e foi gravado por Maria Bethânia, Lulu Santos e Gal Costa.

Cicero é, ainda, autor de livros de ensaios filosóficos, como O Mundo Desde o Fim (1995) e Finalidades Sem Fim (2005), e dos livros de poemas Guardar (1996), A Cidade e os Livros (2002) e Porventura (2012). 

Sua obra mais recente, A Poesia e a Crítica, traz ensaios escritos entre 2006 e 2016 que procuram discutir o que faz de um poema um poema – e, para isso, ele evoca Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar e Armando Freitas Filho, entre outros. Para encerrar o volume, ele escreve sobre a influência de A Montanha Mágica, clássico de Thomas Mann, em sua vida. A obra foi publicada em junho.

O presidente da ABL, Domício Proença Filho, declarou que “Antonio Cicero traz para a Academia Brasileira de Letras a presença e a atuação de um dos poetas mais representativos da literatura brasileira contemporânea”. O acadêmico Antonio Carlos Secchin destacou “a sabedoria do filósofo e a criatividade do poeta” que ele traz. 

Já o escritor Antonio Torres, também imortal, lembrou a contribuição que Cicero poderá dar para as reflexões sobre questões do mundo contemporâneo. 

O primeiro ocupante de sua cadeira foi Joaquim Nabuco, e o patrono é Maciel Monteiro. Antes de Portella, sentaram-se nela Dantas Barreto, Gregório da Fonseca, Levi Carneiro e Otávio de Faria. 

Este ano, ingressaram na ABL o historiador Arno Wehling, que ficou com a cadeira do poeta Ferreira Gullar, e o diplomata e escritor João Almino, eleito para a vaga de Ivo Pitanguy.

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