Visão radical de Ki-Duk sobre o capitalismo

Havia gente em choque no fim da sessão de Pietà, de Kim Ki-duk, na quarta à noite. Já houve outro filme coreano aqui no Festival do Rio - O Gosto do Dinheiro, de Im Sang-soo, sobre o poder dos conglomerados. Em seu 18º longa, que venceu o Leão de Ouro no recente Festival de Veneza, Ki-duk radicaliza a visão de Sang-soo do capitalismo.

O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2012 | 03h10

O protagonista vive de cobrar dívidas. As pessoas contraem empréstimos, os juros são extorsivos e ele, para fazê-las pagar, produz uma legião de aleijados - quem paga é o seguro. Neste quadro, surge uma mulher que se apresenta como a mãe que o abandonou. O homem cruel expõe toda a sua fragilidade.

Ki-duk inspirou-se na escultura de Michelangelo. A Virgem Maria acolhe Jesus em seus braços. É a imagem consagrada da compaixão e da piedade. Não é exatamente do que trata o filme. A história é de vingança e da busca de elevação, de transcendência, pelo (anti)herói. Kim Ki-duk pode ter feito coisas melhores, como Casa Vazia, mas Pietà é forte, do nível do admirável Samaritan Girl. / L.C.M.

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