Vício

As pessoas andam falando muito na liberação da maconha, na luta contra as drogas, em proibir o tabaco, o álcool... Eu acho todo esse debate uma bobagem sabendo que existe uma droga muito mais barra-pesada por aí e ninguém fala nada.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2014 | 02h06

Eu sou viciado e não tenho nenhuma vergonha de assumir. E não sou só eu não, muita gente hoje em dia também é. Você deve ser, provavelmente. Duvida?

Vai me dizer que você não assiste a nenhuma série americana? Olha aí, não falei? Não tem como, é muita coisa boa pra assistir. E quando você acha que assistiu tudo, vem alguém e joga na sua cara uma outra que é a revolução de todas elas.

Eu tento acompanhar, mas é impossível. Quando eu terminei Lost (as seis temporadas) veio Família Soprano, com 11. E House. E Dexter. E Breaking Bad, Homeland, House of Cards, The Walking Dead, Game of Thrones...

Para! Já não bastava a frustração de não conseguir ler todos os livros que eu gostaria de ler, agora tenho que conviver com o fato de que nunca vou conseguir assistir a todos os seriados que eu gostaria de ver. E o que têm em comum todas essas séries geniais tão diferentes umas das outras? O texto perfeito! Como são bem escritas, inventivas, instigantes e que diálogos.

Você vai assistindo e quando se dá conta são cinco e meia da manhã, o dia tá amanhecendo e faltam mais dois episódios. Como é que para? Não dá. Tem final de episódio que parece que o roteirista fez de sacanagem. Ele sabia que você tinha que acordar cedo no dia seguinte e, pra acabar com a sua vida, ele deixou no ar alguma coisa que, assistir ao próximo não chega a ser uma opção, mas uma obrigação.

Não é possível alguém dormir com um final desse martelando na cabeça. E aqueles personagens vão tomando conta da sua vida, parece que você está fazendo parte de um outro mundo.

No dia seguinte, você acorda preocupado com o rei, o vice-presidente, o chefe, enfim, qualquer personagem que seja. E conforme você vai aprofundando o seu vício naquele seriado específico, você começa a querer assisti-lo em qualquer oportunidade. Pode ser naquele intervalinho de 15 minutos, já é uma chance. Mas o pior é começar vendo com sua namorada e ter que esperar para assistir junto. Não dá pra esperar ninguém! E se for deixando passar, você vai se desconectando da história e ela vai deixando de ser sua.

Enfim, deixa eu ir que eu já falei demais e eu tô no meio de um episódio de Mad Men. E, pelo amor de Deus, não me conta como acaba que eu tô só na segunda temporada!

E-mail: fabio.porchat@estadao.com

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