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Velório de José Wilker termina com aplausos de fãs e amigos

Vinicius Neder - O Estado de S.Paulo

06 Abril 2014 | 08h 28

Ator e diretor morreu de enfarte enquanto dormia na casa da namorada, de sexta-feira para sábado

Atualizado às 15h30

RIO - Terminou neste domingo, por volta das 15h, o velório de José Wilker. O ator e diretor morreu vítima de um enfarte, aos 69 anos, enquanto dormia de sexta-feira para o sábado. O corpo de Wilker foi velado no Teatro Ipanema, na zona sul do Rio, palco que marcou o início da carreira do ator. Após receber as últimas homenagens de fãs, em velório aberto ao público desde as 23h30 de sábado, o corpo de Wilker seguiu, sob aplausos, para o Memorial do Carmo.

Desde cedo, por volta de 9h, o movimento foi grande na calçada em frente ao teatro. A movimentação de fãs e curiosos, sempre de celulares e câmeras digitais em punho para fotografar atores famosos, chegou a atrapalhar o trânsito na Rua Prudente de Moraes, no domingo de sol em Ipanema.

Passaram pelo teatro os atores Tony Ramos, Marcelo Serrado, Xuxa Lopes, Andrea Beltrão, Marieta Severo, José Meyer, Othon Bastos, Paulo Betti, Letícia Sabatella, Vera Holtz, Camila Morgado, Susana Vieira, Glória Pires e Malu Mader, acompanhada do marido, o músico Tony Bellotto. Também passaram pelo velório o autor de novelas Gilberto Braga e o teatrólogo Aderbal Freire Filho.

Homenagem. No palco do teatro, foram pendurados quadros com imagens de Wilker em cena, em várias peças diferentes. Os quadros, que ficam na casa do ator e diretor, no Jardim Botânico, também na zona sul do Rio, foram cercados por orquídeas.

A atriz Betty Faria chegou muito emocionada e chorosa ao velório. Segundo ela, Wilker foi o ator com quem mais contracenou em sua carreira. "Ele deixa um buraco muito grande. O Wilker saiu de cena muito cedo", disse Betty, pouco antes de entrar no Teatro Ipanema. A atriz disse que teve muitos trabalhos marcantes com Wilker, mas destacou o filme Bye Bye Brasil como o mais importante.

O ator Milton Gonçalves chegou por volta de 10h30 ao velório do ator e diretor José Wilker. Emocionado, Gonçalves lembrou os mais de 50 anos de amizade. Os dois atores se conheceram num festival de teatro no Recife, quando Wilker ainda era adolescente, lembrou Gonçalves. "Ele era verdadeiro, sem papas na língua. E um homem extremamente culto", disse Gonçalves, na saída do velório.

José Wilker era "um grande brincalhão" e tinha a capacidade de não passar desapercebido em nada, afirmou o ator Stenio Garcia, ao chegar ao velório de Wilker. Garcia contou ter encontrado Wilker há cerca de 20 dias e ele "estava ótimo". "Ele vai ficar presente na minha vida para sempre", disse Garcia.

Ao chegar ao velório, a atriz Beth Goulart lembrou de seu pai, o ator Paulo Goulart. "A Mariana me mandou um e-mail, de amor e afeto (quando Paulo faleceu). Eu tinha que estar aqui neste momento", disse a atriz, referindo-se a uma das filhas de Wilker. Beth lembrou que seu pai trabalhou no último filme de Wilker e destacou que ele teve vários trabalhos marcantes. "É um homem que representava a arte brasileira", completou Beth.

Espaço tradicional da contracultura e do teatro de vanguarda no Rio, o Teatro Ipanema marcou Wilker. Lá, o ator participou de "A ópera dos três vinténs", de Bertold Brecht, e "O Rei da Vela", do Grupo Opinião, espetáculos de vanguarda encenados em 1971.

O corpo de Wilker será cremado em cerimônia fechada para a família e amigos marcada para as 18h, no Memorial do Carmo.