Divulgação
Divulgação

Um dia para homenagear Clarice Lispector

Fãs se reúnem em sete capitais para lembrar a escritora no dia em que faria 91 anos

Maria Fernanda Rodrigues,

08 Dezembro 2011 | 21h26

Depois de Carlos Drummond de Andrade, homenageado em outubro com o Dia D, que por sua vez foi inspirado pelo Bloomsday e seus eventos anuais e internacionais de celebração ao escritor irlandês James Joyce, agora é a vez de Clarice Lispector ganhar um dia só para ela.

Ainda que mais concentrada no Rio, a programação da Hora de Clarice vai se espalhar por lugares tradicionais, como livrarias e centros culturais, e por outros mais inusitados, como barcas e estações de metrô, de cidades como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Belém e Recife neste sábado.

A iniciativa é da Rocco, que escolheu homenagear a maior estrela do catálogo nacional da editora no dia de seu aniversário. Se fosse viva, a autora de A Paixão Segundo G.H. e de tantos outros sucessos faria, em 10 de dezembro, 91 anos - hoje, a propósito, faz 34 anos que ela morreu.

"A ideia não é exatamente inédita, mas queríamos ter um dia em que Clarice fosse lembrada", conta o editor Paulo Rocco. Há mais de uma década, sua editora vem cuidado da obra da ucraniana que, com 2 anos, se mudou para o Brasil com os pais.

Nos dois primeiros anos desde que adquiriu os direitos da obra, em 1997, o esforço foi de recuperação dos textos originais. Nas edições anteriores, segundo Rocco, linhas inteiras chegaram a ser cortadas. Todos os livros ganharam novo projeto gráfico e outras obras foram criadas a partir de diferentes recortes e achados - cartas, artigos, etc. Para o ano que vem, por exemplo, ele pensa em lançar mais um título da coleção Clarice na Cabeceira - desta vez, sobre sua produção como jornalista. Haverá novidades também em sua obra infantil, garante.

O trabalho é recompensado: é raro ver uma prova de vestibular que não exija a leitura de algum de seus títulos, assim como é raro ver bibliotecas sem seus livros na estante.

Além disso, Clarice tem uma legião de fãs que tratam de manter sua obra viva na internet - e às vezes até inventam um ou outro texto que acabam atribuindo a ela. Isso não chega a estressar, muito, o editor. Quando encontra algo nessa linha, aciona o departamento jurídico para tentar tirar o material do ar. Quando não consegue, se consola: "As pessoas sempre acabam buscando o texto correto nos livros".

Este é o primeiro ano do evento, mas Paulo Rocco garante que a Hora de Clarice veio para ficar. Deve até ganhar novos adeptos nos próximos anos.

Nesta edição de estreia, aderiram a Secretaria Municipal de Cultura do Rio, o Instituto Moreira Salles, o Midrash Centro Cultural e livrarias. Pessoas físicas também procuraram a editora sugerindo atrações. Este foi o caso do psicanalista André Resende, que vai organizar, na Livraria Jaqueira, no Recife, um ciclo de leituras e debates.

As editoras que publicam as obras da escritora na Espanha e em Portugal se animaram em participar, contou Rocco, mas não houve tempo para organizar esses eventos no exterior.

A programação não é tão extensa quanto a do Dia D, mas fãs de Clarice encontram boas opções para o sábado.

Em São Paulo, o jornalista José Castello fala sobre seu recém-lançado Clarice na Cabeceira - Romances, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Programação garantida também para as crianças, com contação de histórias a partir do livro Como Nascem as Estrelas na Livraria Cultura e na Livraria da Vila.

No Rio, os destaques ficam por conta da conferência de José Miguel Wisnik, no Instituto Moreira Salles, e de um passeio guiado por Teresa Monteiro, organizadora da obra Clarice na Cabeceira - Contos, pelo bairro do Leme, onde Clarice viveu.

Também no Rio, na travessia Rio-Paquetá, José Mauro Brant comanda a Barca Literária, com leitura de textos e apresentação das canções preferidas da escritora. Quem passar pela estação Central do Brasil e pela Siqueira Campos poderá ouvir histórias apresentadas, respectivamente, pelo grupo Poesia Simplesmente e por Mônica Montone, que contará com a participação de Clarice Niskier.

Uma palestra de Nádia Battella Gotlib, autora de Clarice - Fotobiografia, também integra a programação. Ela fala no Midrash, em encontro que terá ainda a atriz Zezé Polessa lendo trechos da obra de Clarice.

Em Porto Alegre, Cíntia Moscovich e Cátia Simenon conversam sobre Os Tempos Sem Tempo de Clarice na Palavraria Livros & Cafés. Já em Belo Horizonte, na Livraria Mineiriana, Aparecida Nunes, organizadora de Correio Feminino, aborda o trabalho jornalístico de Clarice. Um ciclo de debates será promovido pela tradutora Claudia Borio na Livraria da Casa, em Curitiba. Também será possível participar virtualmente, pelo perfil que a editora mantém no Facebook.

Mais conteúdo sobre:
Clarice Lispector literatura

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.