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Timor, a reconstrução de um país nas telas

Agencia Estado

18 Agosto 2000 | 14h 42

Nos últimos anos, o Timor Leste chamou a atenção do mundo ao vencer a guerra por sua independência que já durava 24 anos. O documentário Timor Leste - O Nascimento de uma Nação, que vai ao ar amanhã, na TV Cultura, registra outra luta que nasceu após o fim dessa guerra: a da reconstrução do país. Dirigido por Paulo Markun e realizado pela TV Cultura e a STV, o documentário é dividido em quatro blocos. O primeiro traça um panorama da atual organização política e econômica do novo país e do papel da ONU na reconstrução. Logo em seguida, é a vez de conhecer os fatos históricos que conduziram o Timor à guerra. A saga começou no século 16, quando Portugal aportou no lado leste da ilha localizada entre a Oceania e a Ásia. No lado oeste, ficaram os holandeses, que o ocuparam até a 2.ª Guerra, quando nasceu a Indonésia. O Timor permaneceu sob comando português até 1974, quando a Revolução dos Cravos acabou com a ditadura em Portugal e iniciou o processo de descolonização. Foi então que nasceram as dissidências entre os timorenses que queriam se unir à Indonésia e os que queriam a independência. A guerra civil que surgiu desse conflito foi o pretexto para o governo indonésio invadir território timorense, em 1976. Essa ocupação durou 24 anos e deixou cerca de 200 mil mortos. A guerra só acabou quando a população decidiu-se oficialmente pela independência por meio do plebiscito organizado pela ONU, em 1999. Mais de 450 mil timorenses foram às urnas pela primeira vez na história e 78,5% comemoraram sua escolha: independência. O Exército indonésio não admitiu a derrota e deu forças para as milícias contrárias destruírem literalmente o pouco que sobrara do Timor. A devastação foi tamanha que o Conselho de Segurança da ONU resolveu intervir. Quando as tropas chegaram, não restava mais que desarmar os poucos militares que não tinham-se refugiado na Indonésia e iniciar o longo processo de reconstrução. No terceiro bloco, como conseqüência não menos importante, surge o dilema da escolha da língua oficial. Apesar de serem falados mais de 35 idiomas no país, o português está se firmando nas escolas como língua oficial depois de ter sido proibido nos anos de dominação indonésia. "Escolhemos o português porque foi a presença portuguesa, sua cultura e religião, que nos tornaram diferentes", argumenta Xanana Gusmão professor, jornalista e ex-líder guerilheiro e o mais cotado para ser o primeiro presidente do país. O quarto bloco revela que, apesar de lentamente, o Timor surge como uma nação. Das crianças aos mais velhos, o nacionalismo está em alta. "Vamos trabalhar muito e para isso contamos com a ajuda do Brasil, que é um país irmão e tem muito a ensinar", diz Gusmão. O brasileiro Sérgio Vieira de Mello, comandante da operação da ONU de administração provisória, acredita na independência econômica do Timor. "O país tem capacidade de ser auto-suficiente em agricultura, tem recursos energéticos como gás natural e petróleo e, no futuro, pode desenvolver sua indústria turística", garante. "Queremos ser como qualquer outra nação, mas com nossas diferenças", finaliza Gusmão. Timor Leste - O Nascimento de uma Nação. Amanhã, às 21 horas, na TV Cultura

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