Bruno Favery
Bruno Favery

'Sutura' fustiga vida dos casados

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João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2018 | 02h00

O amor é lindo, mas casamento é outra história. A dupla da foto sugere um voo de vida em comum. Mas não se iluda, humano: estão unidos no amor ou prontos para o fim do relacionamento? Talvez a discussão seja irrelevante. Estas provocações alinhavadas por um texto cortante dão o compasso do amor na peça Sutura, do dramaturgo escocês Anthony Neilson. Estreia dia 23 de março, no porão do CCSP, o projeto nasceu nas mãos do diretor Cesar Baptista e do ator Ivo Müller - que convidaram a atriz Anna Cecília Junqueira para completar o elenco. Discurso sem cronologia, a montagem bate onde dói: a hipocrisia dos relacionamentos, mentiras, dissimulação. Sugere-se levar lenço - descartável, óbvio.

SERES QUE LEEM

Humanos leem, nem que seja a borra do café ou a mão por uma simpática cigana. É a pena a ser cumprida por ser racional. Atrizes e atores ainda mais. Passam pelo menos a metade de suas vidas profissionais debruçados sobre um texto para decorá-lo, esmiuçá-lo, tirar dele o invisível que, depois, será revelado no palco. Não é para qualquer um. Uma peça nasce da leitura em grupo em uma mesa e assistir a este momento não há igual. Como os que virão agora.

KARTUN AQUI 

Uma das vozes mais importantes do teatro argentino, o dramaturgo e diretor Mauricio Kartun tem vindo de tempos em tempos ao Brasil, como foi o caso da estreia da montagem de Ala dos Criados, em setembro do ano passado, dirigida por Marco Antonio Rodrigues. Sua ligação com o Instituto Augusto Boal reforça o vínculo e agora uma nova peça se avizinha. O que há de concreto pode ser o regozijo dos fortes e, se for um deles, seu dia está marcado: a próxima quarta, 7, quando Rodrigues dirige a leitura dramática de um dos mais recentes textos de Kartun, Terrenal - Pequeno Mistério Ácrata, traduzido por Cecilia Boal. Na leitura dramática que será feita semana que vem no Ágora Teatro, o diretor escolheu um elenco de dar orgulho aos viventes de Pindorama, com os atores Celso Frateschi, Danilo Grangheia e Fernando Eiras. Categoria imperdível.

KARTUN ACOLÁ 

Aliás, se o seu destino for Buenos Aires, é uma boa oportunidade assistir à primeira montagem de Terrenal, dirigida pelo próprio Kartun e em cartaz no Teatro Del Pueblo desde 2014. Sucesso garantido para a história que retoma o mito de Caim e Abel.

REPETECO COM ESTILO 

O mesmo Marco Antonio Rodrigues meteu-se em outra boa, também leitura dramática, esta de charme único: a chance de ver diretores conhecidos e reconhecidos por suas carreiras na pele de atores em uma peça escrita por Oswaldo Mendes, O Julgamento de Oppenheimer. Estão no elenco os diretores Roberto Lage, Eduardo Tolentino, Ednaldo Freire, Jorge Takla, Sylvio Zilber, Calixto de Inhamuns, Roberto Ascar, Walter Breda, além dos idealizadores do projeto Carlos Palma e Oswaldo Mendes, do núcleo Arte Ciência no Palco, da Cooperativa Paulista de Teatro. A leitura será dia 17 de março próximo, na Casa do Saber (rua Dr. Mário Ferraz, 414, Itaim Bibi). Mendes construiu seu texto tendo como centro o físico Robert Oppenheimer, criador da bomba atômica e acusado de atrasar a pesquisa para se chegar à bomba de hidrogênio. Era contra, por óbvio. Já vira os estragos provocados por sua criação anterior. De herói passou a traidor e despencou do céu ao inferno sem claquete. O resto da história a leitura dramática revelará.

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