Sucesso às vezes pede um passo atrás

Living Things, álbum novo do Linkin Park, recua no experimentalismo que marcou o disco anterior da banda

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2012 | 03h09

O nu metal transformou a paisagem sonora em um novo pântano de clichês, com seus crescendos previsíveis, sua dramaticidade de soap opera. O Linkin Park nunca fugiu à regra, seus discos geralmente são tediosos. No entanto, a banda construiu uma reputação ao vivo que merece reverência, conquistando até plateias hostis com uma entrega e uma blitz sonora que sempre convence.

As 12 canções de Living Things, o álbum mais recente do Linkin Park (seu quinto disco de estúdio, com produção de Rick Rubin, que trabalhou com Adele e Metallica), repisam os clichês do rap metal, com resultado irregular. Começando pelo primeiro single, que já se tornou mais um de seus grandes sucessos, Burn It Down, que poderia perfeitamente figurar em alguns de seus primeiros discos.

Until It Breaks, mais eletrônica e com vocais processados, é mais ousadinha. As baladas, como Powerless, são formulaicas e repetitivas, dependentes dos coros e dos riffs. Victimized revigora o ataque vocal de Chester Bennington, uma canção mais digna do classic sound do Linkin Park.

Há algumas digressões aqui e ali, como em Tinfoil, talvez a que os reaproxime de novo das experiências mais radicais do Radiohead. Skin to Bone parece uma levada latina encoberta por uma batida industrial.

O disco anterior da banda, A Thousand Suns (2010), que rompia com seus próprios conceitos e fundava-se em improvisação e climas orquestrais, era bem melhor - chegou a ser comparado, superlativamente, aos seminais Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, e Kid A, do Radiohead.

Eles tiveram tempo e boas influências para dar um passo adiante, mas preferiram dar um passo atrás. Black Thought (do grupo The Roots) já chegou a trabalhar em uma música sua no disco de remixes - haveria influência melhor? Mas o sucesso sempre cobra sua fatura.

O Linkin Park alcançou fama internacional já em seu trabalho de estreia, Hybrid Theory (2000). Ao longo dos últimos 12 anos, colocou seu nu metal no topo das paradas em diversos momentos, com canções como Crawling, In the End, Faint, Breaking the Habit, What I've Done, New Divide, Waiting For the End.

Living Things é o 5.º álbum consecutivo do Linkin Park a ficar no topo das paradas desde 2000, segundo sua gravadora.

Mais bacana é notar que o grupo, apesar de não insistir na progressão musical, também não recusou em sua faceta beneficente: um dólar de cada ingresso vendido de seu show será doado para a fundação da banda Music For Relief - www.musicforrelief.org. / J.M.

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