Marco Froner
Marco Froner

Som a Pino: 'Nada do que foi será...'

Mais do que falar das músicas já lançadas pelos Tribalistas, quero chamar a atenção para a estratégia de lançamento do trio

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 02h00

Semana passada aconteceu uma surpresa no mundo musical. Assim, tarde da noite, pouco antes das 23h do dia 9 de agosto de 2017, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte anunciaram um live no Facebook. Live é uma ferramenta de transmissão ao vivo na rede social. Todos já imaginavam o que aconteceria... boatos ou furos já rolavam nos meios de comunicação e bastidores que os Tribalistas voltariam e os três negavam com convicção. E numa noite, num live no meio da semana, eles voltaram. Boa noite, comunidade!

Mais do que falar das músicas já lançadas pelos Tribalistas, quero chamar a atenção para a estratégia de lançamento do trio. Um live no Facebook sem avisar ninguém, sem divulgação anterior, sem os meios de comunicação tradicionais.

Muitos jornalistas ficaram incomodados, mas, de verdade, e não estou desvalorizando meu próprio espaço aqui, e sim colocando em questão. Precisamos conversar sobre o jornalismo tradicional. O mercado da música mudou e muito, gravadoras deixaram de ser as grandes controladoras de tudo, hoje toda uma geração disponibiliza discos online, produz, vende produtos, cria um mercado e vai descobrindo o modo como fazer. Não existe mais apenas um caminho a ser seguido. Cada artista cria e descobre o próprio.

Essas mudanças todas levaram a mudanças também na forma de divulgar. É preciso sair no jornal? É preciso estar na TV? É preciso tocar no rádio? Claro, quanto mais espaço melhor. Mas nada disso é mais fundamental. Eu poderia ter contado aqui que os Tribalistas voltariam. Seria o que chamam de um furo, mas não é muito mais legal que Arnaldo, Carlinhos e Zé contem nas redes numa relação direta com o público? Sim! É! Olha a alegria e surpresa que foi.

Mas e nós os jornalistas? Fomos deixados de fora? Fomos excluídos? Não! Nós fomos convidados para a transmissão ao vivo também nas redes sociais tanto quanto o público. Hoje, todos podem lançar, gravar, fazer música. E é muito comemorado que a música tenha um espaço aberto assim. Claro, uns se destacam, outros não. Claro, precisamos resolver questões importantíssimas como direitos autorais. Mas não existe aquele cara da gravadora que decide você sim, você não. Viva!

Hoje, também, todos podem escrever sobre um trabalho, falar o que acham de um disco, recomendar ou não uma obra, todos podem ser os chamados formadores de opinião. Aliás, formador de opinião é um termo bem esquisito. Não é muito melhor que todos tenham opinião? Muito mais do que ela ser formada por outra pessoa?

'Nine Out of Ten'

Sábado aconteceu em São Paulo o Festival Coala e a atração final foi o aniversariante da semana passada, Caetano Veloso, sozinho no palco conseguiu deixar toda uma multidão em silêncio, todos atentos para ouvir. Impressionante e de arrepiar. Coisa de mestre. "I’m alive e vivo muito vivo."Viva Caetano 75 anos.

 

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