Julia Moraes
Julia Moraes

Som a pino: ‘Eu quero ser carnaval...’

Carnaval é brilho, é alegria, é catarse mas é também política, ocupação das ruas, luta por um mundo mais nosso

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2018 | 02h00

Desde pequena me falam sobre como o carnaval é aquele momento em que conseguimos deixar de lado nossas dores e sofrimentos para brincar, pular e gritar durante quatro dias. É o tempo em que o brasileiro dá um tempo no sofrimento para ser feliz. Cresci com essa ideia de carnaval... e sempre tive vontade de chorar no meio da folia, ainda tenho, acho bonito e forte, mas agora 2018 eu entendo o que é pular para esquecer a dor. Entendo muito o que é aproveitar quatro dias para deixar de lado a tristeza que a gente tem. Hoje é terça, amanhã quarta-feira de cinzas e “acabou nosso carnaval” e o ano começou e promete. Mas hoje ainda vamos pular e muito para juntar forças para o ano.

Tantos blocos, tantas pessoas, quantos maiôs, quanto brilho, quanta crítica, quantos memes e quanta alegria. Me fez lembrar dos versos do cantor e compositor Douglas Germano “Tanta solidão, tanta servidão, e a gente cada dia mais feliz... tanta ingratidão, tanta incompreensão e a gente mais perto do que nunca quis”. Mas pelo menos sorrimos 

nesses dias. 

 

BLOCOS 

Teve o bloco da Espetacular Charanga do França que saiu na segunda de manhã em Santa Cecília ocupando as ruas da cidade, essa cidade que é nossa, sem logo, e lembrando que “Não é não”. No fim de semana anterior muitas pessoas estiveram no Acadêmicos do Baixo Augusta cujo tema foi “É proibido proibir”, sempre foi e sempre será. Mariana Aydar fez sua estreia ontem lançando o Bloco Forrozin, um bloco de rua celebrando a música nordestina que saiu de um ponto histórico de Sampa, na esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São João, aí não tem como... alguma coisa sempre acontece no coração. Teve o Ilú Obá de Min emocionando e lotando a Praça da República, Tarado Ni Você, o Bloco do Magal, o Bastardo, o Viemos do Egyto, os desfiles das escolas de Samba e ainda tem muito mais. 

 

E MAIS BLOCOS 

Hoje tem o Bloco Pagu, um bloco com uma bateria formada por mulheres com as cantoras Barbara Eugênia, Julia Valiengo e Soledad. O Bloco Pagu exalta a igualdade entre gêneros e a liberdade individual da mulher. O bloco sai hoje as 15h no Páteo do Colégio. Vamos?

E o carnaval não para, na verdade seguimos até mais um pouco mais. Dia 17 de fevereiro tem o Navio Pirata da banda Baiana System, primeira vez fora de Salvador, aqui em São Paulo na Avenida 23 de Maio e se tem uma coisa que eu jamais perderia é isso. Recomendo o mesmo para você, fortemente. 

Eu segurava muito o choro nos bailes de carnaval quando era pequena. Toda fantasiada e de lápis no olho não entendia o que acontecia dentro de mim, hoje entendo. Carnaval é brilho, é alegria, é catarse mas é também política, ocupação das ruas, luta por um mundo mais nosso. "Se a gente for em política como somos em carnaval..."

Música da semana

Monstro é aquele que não sabe amar, os filhos abandonados da Pátria que os pariu

Samba-enredo da Beija-Flor para este ano

“Ganância veste terno e gravata, onde a esperança sucumbiu vejo a liberdade aprisionada. Teu livro eu não sei ler, Brasil! Mas o samba faz essa dor dentro do peito ir embora feito um arrastão de alegria e emoção o pranto rola. Meu canto é resistência”...

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