Silvio de Abreu reestreia novela hit de sua carreira

Depois de uma vida de insultos, a redenção pelo amor na hora da morte. O público não viu, mas foi numa cama, durante entusiasmada noite de sexo, que saíram de cena os primos e rivais Otávio (Paulo Autran) e Charlô (Fernanda Montenegro), da novela hit "Guerra dos Sexos". Passados 30 anos, a comédia de Silvio de Abreu volta nesta segunda-feira ao horário das 19 horas com a mesma temática e o mesmo diretor, Jorge Fernando. A dupla de protagonistas vem reencarnada em Tony Ramos e Irene Ravache, herdeiros dos dois que revivem suas picuinhas.

AE, Agência Estado

01 Outubro 2012 | 10h05

Nem um nem outro acha que o embate entre machistas e feministas ficou datado, sem lugar no século 21. Ainda que uma mulher ocupe a Presidência da República e os homens já tenham se habituado a (vez ou outra) preparar o jantar e cuidar das crianças, o conflito será eterno, acredita Tony - que faz a sua parte pela igualdade de gêneros preparando cafés da manhã e lavando a louça em casa.

Silvio de Abreu pensou nos dois para os protagonistas desde que surgiu a semente dessa nova empreitada. O autor conta que o primeiro contato foi ainda em "Belíssima", em 2005, e se intensificou em "Passione", cinco anos depois. "Eles são excelentes em comédia. As gravações que acompanhei comprovaram a certeza que sempre tive: que dariam certo desde o início. A relação entre eles, sempre de muita amizade, diversão e generosidade, facilita o entrosamento nas cenas." Os dois levaram apenas alguns segundos para topar. Generosa, Fernanda logo se colocou no lugar de plateia da dupla.

"E a guerra continua...", prenunciava o fim da novela, em janeiro de 1984. O que os espectadores verão é mais uma continuação do que um remake nos moldes do que se vê na adaptação de Jorge Amado e se viu em "Ti-ti-ti", "O Astro", "Cabocla" e em outros tantos casos.

Otávio e Charlô, ou Bimbo e Cumbuca, estão imortalizados em quadros na parede da sala, sobre a lareira. Efeitos especiais fazem com que Otávio II e Charlô II, Bimbinho e Cumbuqueta, interajam com eles. Na cena da guerra à mesa do café da manhã - que terá como testemunha a mesma incrédula governanta Olívia, vivida por Marilu Bueno -, o resultado promete ser ainda mais inusitado e despudorado.

O que não mudou de lá para cá é a mentalidade tacanha de Otávio, machista do tipo que se vira para a neta adulta (Mariana Ximenes) e afirma: "Você vai me obedecer como uma mocinha!". Charlô adora bater de frente, quer chefiar o castelo onde vive o clã Alcântara e a loja "para público diferenciado" que leva seu nome - na primeira versão, baseada no então recém-inaugurado Shopping Eldorado; hoje, no Projac, inclusive com escadas rolantes e elevador.

O cenário é o de Silvio de Abreu: São Paulo. Refeita na cidade cenográfica em Jacarepaguá, a Mooca é onde mora o núcleo em ascensão: Dinorah (Fernando Eiras), Nieta (Drica Moraes), Carolina (Bianca Bin), Nenê Stallone (Daniel Boaventura), entre outros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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