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Saiba como foi o final de 'Lost' nos EUA; série domina mídia

24 Maio 2010 | 13h 48

Em NY, pessoas se reuniram na casa de amigos, como na final do Superbowl, para assistirem juntas à série

Naveen Andrews (Sayid), Maggie Grace (Shannon), Yunjin Kim (Sun), Dominic Monaghan (Charlie)

e Emilie De Ravin (Claire) no capítulo final da série.  Foto: Mario Perez/AP-ABC

 

Gustavo Chacra, correspondente do Estado

 

NOVA YORK - Antes de começar o texto, alerto os leitores para pararem por aqui caso não queiram saber o final da série Lost, encerrada na noite de ontem nos Estados Unidos. O último episódio será exibido nesta terça no Brasil. Em Nova York, não havia esta possibilidade. O mistério era para todos, a não ser os envolvidos na produção do programa, um dos que tiveram maior sucesso na última década. E, hoje, o final já estava estampado nos principais jornais, do New York Post ao New York Times, e mesmo em debates nos programas matutinos das redes de TV concorrentes da ABC, que exibe o programa.

 

Assim que terminou a série às 23h30 do domingo, uma audiência que acompanhava o programa nos estúdios da ABC, onde as principais estrelas de Lost dariam entrevistas em seguida para o apresentador Jimmy Kimmel, começou a chorar. A câmera mostrava dezenas de adultos com lágrimas nos olhos, paralisados, com as cenas finais. Minutos antes, eles souberam que todos os personagens haviam morrido. Ou pelo menos todos os supostos sobreviventes do vôo da Oceanic. Não ficou claro.

 

Jack certamente morreu. Ele desce de um carro dirigido por Kate na realidade paralela, diante de uma igreja. Ela se dirige para a porte principal e fala para ele entrar pelos fundos, na sala do funeral. Diante de um caixão, Jack começa a se lembrar de imagens da ilha. É estranho, pois ele, na realidade paralela, não se lembrava daqueles momentos. Em seguida, ele se vira para trás e vê o pai. No diálogo, fica claro que o personagem morreu, assim como, aparentemente, os outros que estavam no avião que caiu na ilha.

 

"Este é o lugar que todos vocês fizeram juntos e, portanto, podem encontrar uns aos outros. A parte mais importante da sua vida foi a que você passou com estas pessoas. E por isso todos estão aqui", diz o pai, para Jack, que depois se encontra com os outros na nave principal da igreja. O teto e a porta se abrem e entra uma luminosidade. A versão paralela de Lost, onde eles nunca teriam ido parar na ilha e se conheceram nos EUA, seria uma espécie de purgatório para todos irem juntos para a outra vida. Ben, por outro lado, não entrou na igreja e tampouco estava no avião. Não ficou claro se morreu, se em algum momento esteve vivo ou o que ele era realmente.

 

Matthew Fox como Dr. Jack Shephard no final de 'Lost'. Foto: Mario Perez/AP-ABC

 

Antes desta cena, alguns mistérios foram resolvidos. Por exemplo, o gordinho Hurley seria o guardião da ilha e alguns casais ficam juntos, como era esperado e sem surpresas. Mas a maioria dos enigmas ficou sem resposta. De uma certa forma, ajudará ainda mais para acentuar os debates na internet sobre o que realmente ocorreu, provocando dezenas de conspirações. Os próprios atores, em debate promovido pela ABC na noite de ontem, divergiam sobre o que aconteceu no último episódio.

 

Logo, sem as respostas, a febre deve continuar, depois de dias de discussão no Facebook, com o assunto "Lost" chegando a liderar como tema mais discutido no Twitter. O New York Times, não muito ligado à cultura pop, publicou uma série de reportagens ao longo da semana passada. Na noite de domingo, o jornal acompanhou on line o último episódio. Nem mesmo o Wall Street Journal ficou de fora. Em Nova York, pessoas se reuniram nas casas de amigos, como na final do Superbowl, para assistirem juntas ao programa. Alguns fãs em Los Angeles pessoas desligaram os celulares e pararam de se conectar à internet três horas antes do programa. Os californianos assistem o programa depois dos nova-iorquinos devido à diferença no fuso horário. Quando começou na costa oeste, já havia acabado na leste. Eles não queriam ser surpreendidos por uma mensagem no Facebook descrevendo as cenas finais antes de assisti-las.

 

Apesar de toda a empolgação ao redor de Lost, a audiência foi inferior à de Seinfeld e outros programas. Apesar de os fãs serem mais fanáticos, eles compõem uma camada menor da população, restrita a uma faixa etária mais jovem. Além disso, ao contrário das sitcoms, os espectadores precisavam ter assistido a todas as temporadas para entenderem o final. Para Mike Hale, crítico de TV do New York Times, o final foi forçado. Mas, em meio a tantos quebra-cabeças, esta era a única saída possível. A cena final terminou com Jack deitado na praia e abrindo os olhos em uma cena diferente, mas parecida com a que começou o programa, depois da queda do vôo da Oceanic.