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Sai livro com cartas trocadas por Hannah Arendt e Martin Heidegger

Correspondência de Hannah Arendt e Martin Heidegger revela 50 anos de um relacionamento amoroso complexo entre dois grandes filósofos do século 20. Heidegger, o mestre, e Arendt, a aluna, conheceram-se em 1924, em Marburg, Alemanha - ele com 35 e ela com 23 anos. O livro eu sai pela editora Relume Dumara foi organizado e tem comentários de Ursula Ludz. Após viverem um romance secreto, eles foram obrigados a seguir caminhos diferentes, tanto na filosofia, quanto na vida. Arendt era judia e deixou a Alemanha para se radicar nos Estados Unidos, onde escreveu a maior parte de sua obra. Heidegger, que foi reitor da Universidade de Freiburg, aliou-se à ideologia nazista. As fortes divergências filosóficas entre os dois interromperam, algumas vezes, a correspondência que se estendeu de 1925 a 1975, mas não impediram que Arendt e Heidegger vivessem uma relação de amor e admiração. Ursula divide o livro em três partes: O Olhar, de 1925 a 1933, quando Heidegger escreveu 42 cartas e Arendt apenas três. Nesta fase, predominam textos apaixonados e, por vezes, patéticos, do mestre da Floresta Negra. Em O Reencontro do Olhar, de 1950 a 1965, fica claro o respeito mútuo ao percurso intelectual que cada um seguiu, ainda que Heidegger jamais tivesse reconhecido, nestas cartas, a grandeza intelectual alcançada pela antiga aluna. A última parte, O Outono, revela uma amizade madura e mostra o empenho de Hannah em traduzir e divulgar a obra de Heidegger nos Estados Unidos. Correspondência de Hannah Arendt e Martin Heidegger, organizado e comentado por Ursula Ludz. Relume Dumara Editora, 330 páginas. Preço: R$ 35,00

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Agencia Estado ,

13 Dezembro 2000 | 16h06

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