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Rodrigo Aranga|AFP

Rolling Stones em Cuba: fãs de diferentes nacionalidades e gerações esperam pelo show da banda

Muitos dos que esperavam nas filas que se formaram desde cedo tinham a sensação de participar de algo histórico

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Cláudia Trevisan / Enviada Especial,
O Estado de S. Paulo

25 Março 2016 | 18h07

HAVANA, CUBA - Fãs de diferentes gerações e nacionalidades começaram a chegar na manhã desta sexta-feira à Cidade Desportiva de Havana, onde os Rolling Stones farão à noite o primeiro show de uma grande banda de rock em solo cubano. Símbolo de um estilo visto como uma influência nefasta pelo Partido Comunista durante anos, a banda é o equivalente artístico da abertura econômica e política marcada pela visita do presidente Barack Obama à Havana, encerrada na terça-feira.

Muitos dos que esperavam nas filas que se formaram desde cedo tinham a sensação de participar de algo histórico. “Isso não vai se repetir. É um daqueles momentos que vamos lembrar para o resto da vida”, disse o canadense Roberto Coluccio, que viajou à Cuba com três amigos para ver o show. De todos, o único que não havia estado na ilha antes era Jeremy Camble.

“Nós amamos os Stones, nós amamos os cubanos e nós amamos Havana”, ressaltou Coluccio. O Canadá nunca rompeu relações diplomáticas com Cuba e seus cidadãos representam 1,3 milhão dos 3,5 milhões de turistas que visitam a ilha a cada ano. “É um evento histórico que está unindo pessoas de todo o mundo”, disse Francesco Cenit, um dos quatro canadenses, que está em sua quinta visita a Cuba.

A venda de bebidas está proibida dentro do local do show, mas ambulantes passavam pelas filas vendendo cerveja e pipoca.

O cubano Manuel Exposito, de 51 anos, foi com a mulher, Marlen Romero, e a filha Melissa Exposito, de 16 anos. Todos usavam camisetas com o símbolo dos Rolling Stones. Taxista, Exposito é fã da banda desde criança, por influência de sua irmã mais velha, que escutava músicas do grupo mesmo quando o rock’n roll era mal visto em Cuba. “Eu achava que iria morrer sem ver os Rolling Stones.”

O taxista não é partidário da rivalidade entre a banda e os Beatles e se declarou fã de ambos.  “Eu não gosto de salsa e reggaeton. Eu só gosto de rock’n roll”, afirmou Exposito, que tinha uma pulseira e um broche no boné com símbolos dos Rolling Stones.

Ariel Gil, de 44 anos, escuta a banda britânica desde que tinha 25. “Se me dissessem há pouco tempo que eu viria os Rolling Stones em Cuba, eu não acreditaria”, disse Gil, que foi ao show com seu filho mais novo, Paulo Henrique, de 17. “O que estamos fazendo hoje é história. Nós nos sentimos privilegiados por ter os Rolling Stones aqui.” Gil espera que outras bandas se apresentem no país a partir de agora.

A brasileira Sildete Nolen foi à Cuba com o marido, o americano Tommy Nolen, que estava com um boné verde com a inscrição “Brasil” no qual estavam espetadas uma bandeira de Cuba e outra dos EUA. “Eu amo Cuba e amo os Rolling Stones e queria mostrar os dois para minha mulher”, afirmou Nolen, que viu os Rolling Stones na praia de Copacabana, no Rio, em 2006.

A estudante cubana Anet Cruz, de 19 anos, esperava na fila sentada ao lado de quatro amigos, todos protegidos do sol por uma enorme bandeira cubana. “Desde menina que escuto os Rolling Stones. Meu pai é fã deles.” Cruz disse que foi uma surpresa saber que a banda se apresentaria em Cuba. “Queremos que outras venham.”

O show será gratuito, o que permitirá aos cubanos terem acesso ao espetáculo. Com um salário médio de US$ 20, poucos na ilha poderiam pagar o preço padrão dos ingressos da banda. A passagem por Cuba faz parte da turnê latino-americana Olé, que já levou os Stones a nove países da região, entre os quais o Brasil. 

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