Robert Duvall e sua chance de chegar ao Oscar

Ganhador do prêmio por 'A Força do Carinho', ator veterano deve figurar novamente na lista de indicados da Academia

O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2014 | 02h07

Há um burburinho em Hollywood de que o ator Robert Duvall deve novamente aparecer na seleta lista dos indicados ao Oscar. Se acontecer, será a sétima vez que concorre. "Penso nisso sim, às vezes", admite. "Acho que há uma preocupação enorme no nosso meio sobre o Oscar, até demais. Mas as carreiras também são construídas com prêmios", diz Duvall, que até hoje levou um troféu de melhor ator por A Força do Carinho (1983).

Se tem alguém que pode falar com conhecimento de causa é Duvall. Aos 83 anos e prestes a completar 55 de carreira, atuou em seis produções da lista do American Film Institute (AFI) sobre os 100 melhores filmes do século 20, mais do que qualquer outro ator ainda vivo: O Sol é Para Todos, M.A.S.H, O Poderoso Chefão, O Poderoso Chefão II, Rede de Intrigas e Apocalypse Now. "Nos anos de 1970, os filmes mais interessantes eram feitos pelas grandes companhias cinematográficas que agora só se interessam por superproduções e franquias. Hoje alguns dizem que esses bons filmes não são mais produzidos. Discordo, quem está os fazendo são as empresas independentes. Acho que tudo está ficando melhor agora, os atores e diretores são melhores, não necessariamente algumas histórias."

No novo filme, o veterano contracena a maior parte do tempo com Downey Jr., filho dele no enredo. O juiz, papel que interpreta, se envolve em um caso de atropelamento seguido de morte no dia do falecimento da mulher e o personagem de Downey Jr., com quem tem uma relação bem complicada, se torna o advogado de defesa. Aí estão as cenas mais memoráveis da trama. Em uma delas, o filho precisa ajudar o pai a se lavar depois de um incidente no banheiro, consequência trazida pela idade e pelo câncer. Momento de nó na garganta da plateia, é possível ouvir a respiração profunda e a sensação de agonia de quem está presente.

"Às vezes, quando a cena é difícil, é fácil e vice-versa. As cenas emocionais podem ser fáceis de fazer e outras mais simples nem tanto, sempre tentamos achar algum humor naquilo tudo", conta Duvall, que não teve medo de se expor em cenas que o mostraram tão vulnerável. "No começo, eu não queria fazê-lo, era um papel muito negativo. Mas depois de pensar bastante, achei 'o juiz' dentro de mim e brinco muito dizendo que esse foi o melhor filme que me apareceu depois de Apocalypse Now, 'séculos atrás'".

Com lucidez, simplicidade e carisma que impressionam, ele consegue ser melhor nas entrevistas que nos impressionantes papéis da tela grande. Cada jornalista que encontra pergunta: "De onde você é?". E, para cada um, tem uma história para contar de tal lugar. "Nunca fui ao Brasil, sempre vou à Argentina, minha mulher é de lá. Ela adora jiu-jítsu, eu gosto de futebol americano e show de saltos de cavalos. Adoro o Nelson Pessoa e o filho dele (Rodrigo Pessoa) também é bom. Sou fã de futebol, mas não da maneira como vocês jogaram ultimamente. Oh, meu Deus! O que aconteceu com o incrível Brasil? Agora eu gosto do Messi", diz Duvall, fazendo questão de nos relembrar dos 7 x 1. / C.K.

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