AP Photo/Andre Penner
AP Photo/Andre Penner

Refugiados e sustentabilidade entram em pauta na São Paulo Fashion Week

Desfiles investem em peças utilitárias e despojadas que reforçam a imagem do nômade contemporâneo

Maria Rita Alonso, Especial para O Estado de S. Paulo

23 Abril 2018 | 20h43

A São Paulo Fashion Week se deslocou até o Museu da Imigração, na Mooca, nesta segunda, 23, para o desfile da UMA de  Raquel Davidowicz. Inspirada nos refugiados, a estilista  não podia ter escolhido lugar melhor. O prédio, que servia de hospedaria para os imigrantes no século 19, foi um palco perfeito para as peças com referências aos nômades apresentadas por modelos com traços miscigenados do Brasil.

 A coleção trouxe botas pesadas, casacos leves e tricôs confortáveis,  transmitindo a ideia da andarilha moderna. “Pensei na roupa do nômade, do viajante, que precisa de bolsos utilitários e cachecóis para se proteger do frio”, diz Raquel. “Mas tentei fugir de estereótipos e tomei cuidado para não esbarrar na apropriação cultural.”

Nos bastidores, um painel descrevia a ascendência de cada uma das modelos, enquanto na plateia Emma Ferrer, neta da atriz Audrey Hepburn e embaixadora da ONU em causa de defesa dos refugiados, lembrava da ação da marca em parceria com a ONG Braço Cultural, que capacita estrangeiros no País.

 Questões sociais, aliás, estão na ordem do dia para marcas de moda que buscam relevância. Olhando para o ativismo ambiental, por exemplo, a Osklen mostrou sua coleção Asap (As Sustainable As Possible - tão sustentável quanto possível, em tradução livre) focada em materiais sustentáveis para um guarda-roupa contemporâneo. O assunto não é novidade na história da marca, que lançou sua primeira peça orgânica, uma camiseta de malha de cânhamo, há 20 anos.

Na passarela, básicos executados com primor, como suéteres e vestidos em malha, faziam um contraste interessante com acessórios mais luxuosos, com bordados e texturas. Casacões em estilo militar, blusas de tricô de seda e calçados felpudos com sola de borracha reciclada remetiam a deslocamento, reforçando o tom nômade do dia. “Você tem que ter clássicos impecáveis e poucos e bons itens de design. Isso é o guarda-roupa contemporâneo”, afirma o estilista Oskar Metsavaht.

Novos  Rumos

A SPFW tem um novo sócio, a empresa IMM Esporte e Entretenimento, do fundo de investimento árabe Mubadala, responsável no Brasil por marcas e eventos culturais e esportivos, como UFC, Rio Open e Cirque de Soleil. Agora, o evento  passa a ser gerido pela empresa em parceria com o grupo InBrands. Segundo Nelson Alvarenga, presidente do conselho da InBrands, a ideia é aproveitar a expertise e a rede de contatos da IMM no universo do entretenimento para alavancar o evento de moda, que vem sofrendo com a perda de  patrocínios. “Vemos a possibilidade de sinergia, colocando a moda num espectro mais amplo de ações.”

 

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