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'Que o novo sempre vem...'

O que é o novo? Difícil definir uma novidade num mundo tão acelerado. Às vezes o que é para mim, não é para você. Quanto tempo dura uma novidade? Quanto você está aberto para ouvir uma música de um cantor que você nunca ouviu? Quando foi a última vez que você se surpreendeu com algo que não conhecia? Descobrir um artista que já foi conhecido é novidade? Você se lembra do dia que falaram “tem um rapaz novo fazendo música, o nome dele é Caetano Veloso”? 

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2016 | 07h00

A SURPRESA QUE RENDE SHOWS

Karina Buhr, artista que admiro muito, cantora, compositora foi para Berlim com “apenas” um show marcado junto com a banda Metá Metá no Bi Nuu, e como já poderíamos imaginar, depois que alguém vê Karina no palco fica tão impressionado, que deste show surgiram mais quatro e um sarau do Desperdiçando Rima (livro de poesia lançado em 2015). Dois dos shows já foram com uma banda que ela montou lá e o correio (que em 2016 é internet, somos rápidos) me mandou uma foto linda. Ainda tem mais um show com banda e um em dupla com Pyrolator (trabalho solo de Kurt Dahlke), músico e produtor alemão que foi das bandas D.A.F, Der Plan, Fehlfarben, produziu mais de 200 discos e participou do começo da música eletrônica (Neue Deutsche Welle). Vielen Dank, Berlin! agradece Karina. 

 

REDESCOBERTAS 

Gostei muito do filme, mas quero falar da trilha que, de tão especial, todo mundo sai do cinema querendo ouvir Gilberto Gil, Roberto Carlos, Ave Sangria, Taiguara e – se você for mais intenso – Maria Bethânia. Clara (personagem de Sônia Braga) ouve MP3 (piadinha interna pra quem viu) e gosta muito do disco físico, de pegar o vinil e dentro encontrar aquele recorte de notícia que marcou um momento. Outro dia, achei uma lembrança de que Taiguara completaria este mês 71 anos, caso estivesse vivo. Desde que vi o filme, voltei a colocar Taiguara na minha vitrola. Ele participou de muitos festivais, fez sucesso e foi um dos artistas com mais músicas censuradas na ditadura. Li uma frase da filha dele na introdução de Os Outubros de Taiguara, livro lançado pela Kuarup, que me comoveu: “Se não recuperarmos o trabalho do meu pai, a Censura terá vencido”. Não podemos deixar isso acontecer. Escutem Taiguara, muito, principalmente Hoje!

 

“AS PESSOAS CONTINUAM FAZENDO MÚSICA, AINDA BEM QUE NÃO COMO ANTIGAMENTE, FAZEM COMO AGORA” me disse Jards Macalé. Grande artista, aberto a novos encontros, fez show com O Terno no Circo Voador. Tim Bernardes (vocalista, músico e compositor da banda) disse: “O que eu pirei é que ele tem uma filosofia própria de som e as composições têm uma outra lógica”. E Jards: “Conheci agora e Tim é um extraordinário músico e ótimo letrista”. O segredo é que ele é rapaz esforçado.

Tom Zé

80 anos esta semana. Por baixo do cara de 80 anos, um menino. Por baixo do menino, um moleque danado. Por baixo do moleque danado, a brincadeira. Por baixo da brincadeira, a arte. Por baixo da arte, o amor. E, por cima de tudo, o nosso Viva Tom Zé. Viva muito! 

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