Quarteto escocês Travis está de volta, mas sem inovações

O novo disco do grupo, The Boy with no Name, não deve decepcionar os fãs antigos com baladas melancólicas e o bom vocal de Francis Healy

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h47

Para o bem e para o mal, The Boy with no Name (Sony/BMG) é muito Travis. O lado bom é o que os fãs antigos não devem se decepcionar com as baladas melancólicas e o bom vocal de Francis Healy, além da guitarra característica de Andy Dunlop. O dado menos interessante é que o quarteto escocês não avança um centímetro além de seu estilo familiar. Há quem veja algo positivo no fato de Healy, Dunlop, Dougie Payne (baixo) e Neil Primrose (bateria) não promoverem nenhuma mudança radical. No balanço dos extremos, sai ganhando a primeira metade do álbum, que concentra as canções mais resistentes, como Selfish Jean, Battleships e Eyes Wide Open. A partir da sétima faixa, o CD não se sustenta bem, porque as canções são menos consistentes. Tem até uma faixa escondida (quem ainda acha graça nisso?), Sailing Away, lá pelo sexto minuto de New Amsterdam, e outra como bônus na edição britânica, mas nenhuma realmente faz diferença. O primeiro single, Closer, não é o que há de melhor no álbum, mas ainda assim é uma vitrine honesta. Ou seja, é tudo meio quase que vai acontecer, mas não acontece. Tem charme e calor, mas falta novidade. O álbum arranca bem com 3 Times and You Lose, balada que começa etérea e ganha pulso, como outros bons exemplares do passado. O rock uptempo Selfish Jean é a boa e dançante exceção. Ainda que sem ousar além da fórmula Travis, é uma das mais vívidas canções do grupo em anos. A virtude de Big Chair, além da bonita melodia, é a escolha dos timbres de teclado, em combinação sedutora com o baixo no início. Chorosa, arrastada, Closer tem apelo radiofônico, comercial, e não resiste a muitas audições. Battleships e Eyes Wide Open levantam um pouco o ânimo. Depois vem a queda. Os desavisados e não iniciados no som do Travis vão achar muita coisa parecida com o Coldplay e similares, mas vale lembrar que o crédito é dos escoceses. Certa vez, Chris Martin referiu-se a eles desta maneira: "A banda que inventou minha banda e uma porção de outras." Acontece que, desde seu último álbum de estúdio, 12 Memories (lançado em 2003), não só o Coldplay, mas outros grupos replicantes, como Keane, Snow Patrol, Embrace, etc., avançaram terreno, deixando o Travis na saudade. Esperava-se um veemente retorno, algo no nível de The Man Who (1999), para fazer valer seus direitos, mas The Boy with no Name só fica na promessa.

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