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Projeto Mobile Radio BSP vai apresentar programa diário durante a 30ª Bienal de SP

A ser transmitido ao vivo, projeto será uma obra dinâmica, experimental e aberta

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Camila Molina ,
O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2012 | 07h00

A princípio, a ideia era a de você ter a oportunidade de ligar o rádio e sintonizar em uma faixa da FM ou AM uma programação com obras de arte sonoras, debates, músicas, depoimentos de artistas, novelas, tantas coisas mais. Por uma questão burocrática, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda não liberou um dial para o projeto Mobile Radio BSP da 30.ª Bienal de São Paulo, mas será possível, sim, acompanhar por meio da internet ou de telefones e tablets o trabalho que os artistas Sarah Washington e Knut Aufermann vão conduzir ao longo da próxima edição da mostra de arte, a ser inaugurada para convidados no dia 4 de setembro e para o público em 7 de setembro.

“Nunca havíamos feito um projeto fora da Europa. Não sabemos como as pessoas vão reagir”, diz a rádio-artista inglesa Sarah Washington, de 47 anos, que ao lado do alemão Knut Aufermann, de 39 anos, e do artista brasileiro Leandro Nerefuh, de 37 anos, ficará instalada, entre 3 de setembro e 9 de dezembro, em uma estação de rádio montada no mezanino do prédio da Bienal de São Paulo, no Ibirapuera.

A ser transmitido ao vivo, diariamente, de um estúdio com portas de vidro, o projeto Mobile Radio BSP será uma obra dinâmica, experimental e aberta, munida, ainda, de colaborações com 40 rádios de vários países e estações comunitárias de São Paulo; com o Centro Cultural São Paulo através de materiais da Discoteca Oneyda Alvarenga; de obras do acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS); e participações de artistas estrangeiros em residência na cidade. A programação do Mobile Radio BSP poderá ser ouvida por meio dos sites www.mobile-radio.net e www.30bienal.org.br, do twitter e até de alto-falantes instalados no edifício.

Na quinta-feira, 16, no fim da tarde, Sarah Washington e Knut Aufermann chegaram pela primeira vez ao Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o prédio que a partir de setembro será tomado pelas obras de 110 artistas e grupos participantes da 30.ª Bienal de São Paulo. Músicos por formação, criaram o projeto Mobile Radio em 2005, mas já tinham experiência prévia com trabalhos de arte radiofônicos, como o realizado por meio da estação Resonance 104.4FM, baseada em Londres. “É simples trabalhar com rádio, é uma mídia imediata, que se pode fazer ao vivo e com qualidade”, diz Knut. “O rádio não está morto, pelo contrário. Por que a programação das estações é tão reduzida, focada em notícias e informações sobre o tempo? Há tanto mais que se pode fazer.”

Prévia. Os rádio-artistas já prepararam uma programação prévia - não apenas em português - para os primeiros dias de trabalho na estação temporária instalada na Bienal, mas eles estão também ansiosos para receber sugestões - afinal, serão três meses de trabalho ininterrupto. Por isso, hoje, às 15 horas, Sarah Washington, Knut Aufermann e Leandro Nerefuh, colaborador da dupla na obra para 30.ª Bienal, participam de evento aberto ao público no Goethe-Institut de São Paulo para apresentar o projeto Mobile Radio BSP. Na ocasião e pelo e-mail bsp@mobile-radio.net, qualquer pessoa poderá contribuir com ideias.

“Pensamos que um projeto de rádio na 30.ª Bienal seria algo participativo, em que filósofos, músicos, artistas, pudessem se articular dentro da mostra, como parte do segmento Vozes, um dos leitmotivs do projeto conceitual desta edição”, diz Tobi Maier, curador-associado do evento, sob curadoria-geral de Luis Pérez-Oramas. “Por enquanto, não conseguimos com a Anatel nem uma frequência de rádio apenas para dentro do pavilhão, é uma burocracia enorme, mas estamos com o processo”, continua Maier, que também participa da apresentação do grupo, hoje, no Goethe-Institut.

Para os artistas, ter um dial seria fundamental. “Dentro de um processo de transformação, o rádio tem sido esquecido pelas jovens gerações. Mesmo que as pessoas tenham rádios em seus telefones, não acho que saibam o conceito desta mídia. Para nós, a mágica está na tecnologia do rádio mesmo. A vibração de ir ao estúdio, encontrar pessoas, de ter a possibilidade de um taxista ouvir, por acaso, o que você está fazendo, uma maneira adorável de as pessoas descobrirem por acaso o que você está fazendo”, diz Sarah.

Outros sons na exposição

“O Mobile Radio não é uma obra apenas de som, é participativa”, diz o curador Tobi Maier. A 30.ª Bienal apresentará ainda trabalhos sonoros de destaque, como o do argentino Leandro Tartaglia, “áudio-teatro” com trajeto do prédio do Ibirapuera até a Capela do Morumbi, onde o visitante encontrará peças da americana Maryanne Amacher, colega do compositor John Cage. 

MOBILE RADIO

Goethe-Institut. Rua Lisboa, 974. Tel.: 3296-7000.

Sábado, 18, às 15h. Grátis

Inscrições: cultura@sao-paulo.goethe.org

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