Problema dermatológico pode ter influenciado filosofia de Marx

Inflamação de glândulas de suor teria provocado perda de auto-estima e pobreza na vida do autor alemão

REUTERS

30 Outubro 2007 | 12h34

Karl Marx, que reclamava do surgimento constante de furúnculos doloridos, sofria na realidade de uma doença crônica de pele cujos efeitos psicológicos podem ter influenciado os textos que produziu, afirmou na terça-feira, 30, um especialista britânico da área. Sam Shuster, professor de dermatologia na Universidade de East Anglia, acredita que o pensador revolucionário sofria de hidradenite supurativa (HS), um mal em que as glândulas sudoríparas apócrinas - encontradas principalmente nas axilas e na virilha - ficam bloqueadas e inflamam-se. "Além de reduzir sua habilidade para o trabalho, o que contribuiu para seu deprimente estado de pobreza, a hidradenite reduziu em grande medida a auto-estima dele", afirmou Shuster, que publicou o resultado de suas pesquisas no British Journal of Dermatology. "Isso explica a autodepreciação de Marx e o alheamento dele, uma resposta que se refletiu no conceito de alienação desenvolvido por ele em seus textos." Apesar de estar ligada ao aparecimento de caroços semelhantes a furúnculos, a HS, um mal que provoca muita dor, também faz surgirem uma infecção disseminada, inchaços, endurecimento da pele e cicatrizes. A doença explicaria ainda várias das outras reclamações feitas por Marx, tais como dores nas juntas e um problema doloroso nos olhos que, com frequência, impedia-o de trabalhar. Shuster baseou seu diagnóstico em uma análise do grande número de cartas de Marx, nas quais descreveu para amigos seu estado de saúde e chamou as lesões cutâneas de "vira-latas" e "porcos". "A burguesia se lembrará das minhas pústulas até o dia de sua morte", escreveu Marx a Friedrich Engels, em uma carta de 1867. Marx, que morreu em 1883, foi um dos filósofos mais influentes do século 19 e seus textos serviram de base para o comunismo da era moderna. (Por Ben Hirschler)

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