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Possível obra de Portinari é descoberta na casa do pintor

Afresco estava debaixo de 15 camadas de tinta na parede perto de uma porta do imóvel que acaba de ser reformado

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Rene Moreira,
Especial para o Estado

30 Maio 2014 | 16h22

Especialistas estão analisando se uma pintura encontrada em Brodowski (SP), na parede da casa onde viveu Candido Portinari, foi criada pelo artista plástico.

O desenho de uma mulher de cabelos escuros com uma criança de olhos azuis no colo, que foi descoberto por restauradores sob 15 camadas de tinta, estava em uma parede do imóvel que hoje abriga o Museu Casa de Portinari e foi achada durante uma reforma. O espaço, reaberto na sexta-feira, passou dois anos em restauração, que custou R$ 4,2 milhões, para sanar a umidade e outros problemas que poderiam prejudicar obras e relíquias do pinto.

 

Em uma foto antiga, também achada agora, é possível ver um desenho na parede muito parecido com a pintura agora descoberta. O problema é que há relatos de que o artista recebia amigos em sua casa e deixava que eles também pintassem na parede.

 

De acordo com o restaurador Júlio Moraes, a obra tem características típicas de Portinari, como o tom de azul na roupa da mulher e a altura do mural. Mas são apenas indícios e tudo será apurado por pesquisadores, que, a partir de agora, terão ajuda de uma equipe de peritos e especialistas em arte.

 

A descoberta, se confirmada, é de grande importância, já que Candido Portinari é reconhecido no mundo todo. Autor de quase cinco mil obras, entre elas os painéis Guerra e Paz da sede da ONU, em Nova York, e o mural da Biblioteca do Congresso em Washington, o pintor teria morrido vítima de intoxicação das próprias tintas que usava.

 

Reforma. O Museu Casa de Portinari, em Brodowski, recebeu novo reforço estrutural, restauro artístico, salas de exposição e outros ambientes. O imóvel é parte da obra deixada por Portinari, pois suas paredes são repletas de afrescos do artista. São pinturas realizadas em várias fases de sua vida – desde o início de carreira até obras-primas de quando já era um pintor reconhecido.

 

As pinturas murais foram restauradas e passaram por um processo para estabilizar sua fixação às paredes da casa, garantindo longevidade a esse patrimônio artístico. Outras intervenções foram realizadas para garantir a preservação do imóvel, tombado pelo Condephaat e pelo Iphan.

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