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Parte de obra chinesa desaparece na Bienal Internacional de Curitiba

Sumiu o macaco exposto sobre um livro de três metros na área externa do Museu Oscar Niemeyer; deputado estadual Ricardo Arruda (PEN) havia gravado um vídeo condenando a obra dias antes e levantando questões religiosas: "Colocando um macaco em cima da Bíblia não seria um desrespeito a quem é cristão?"

O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2018 | 19h47

Parte de uma obra do artista chinês Liu Ruowang exposta na Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, montada na área externa do Museu Oscar Niemeyer (MON), desapareceu. O caso só foi divulgado na tarde deste domingo (18) porque, segundo o museu, foi necessário antes realizar um boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial de Curitiba, registrado pelo presidente da Bienal, Luiz Ernesto Meyer Pereira.

A escultura trata-se de um livro aberto de quase três metros de comprimento com um macaco no centro que estava exposto na parte externa do MON desde a abertura da Bienal, no dia 30 de setembro de 2017. Na manhã do dia 13 de fevereiro, a produção foi informada pelo museu de que o macaco havia desaparecido. 

Poucos dias antes da notificação do desaparecimento, no dia 5 de fevereiro, o deputado estadual do Paraná Ricardo Arruda (PEN) publicou em sua página no Facebook um vídeo criticando a obra. Ele se mostra bastante incomodado e levanta questões: “Não será uma inversão de valores, contrariando a teoria de que quem criou o mundo e nos deu a vida foi Deus? Colocando um macaco em cima da Bíblia não seria um desrespeito a quem é cristão?”. Ele pede a opinião de seus seguidores e divulga um número de WhatsApp. O museu afirma que todas as medidas de investigação estão sendo tomadas para descobrir quem retirou o macaco da obra.

Ao Estado, o presidente da Bienal, Luiz Ernesto Meyer Pereira, respondeu sobre o caso: O senhor acredita que o desaparecimento de parte da obra pode ter envolvimento de alguma forma com as manifestações do deputado Ricardo Arruda? “É a primeira vez nos 25 anos de história da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba que ocorre algo semelhante. Este acontecimento causou muita tristeza entre todos os organizadores... Não descarto a possibilidade de que um fanático religioso tenha praticado este ato criminoso. Seguramente não foi a intenção do deputado, que tem mais de 70 mil seguidores nas redes sociais. Neste momento, a Bienal não pode fazer nenhuma acusação.”

Ele diz que nesta semana conseguirá junto ao museu as imagens do sistema de segurança. “Por recomendação da segurança do museu, o local inicial escolhido pelo curador da obra foi alterado para que estivesse dentro um raio de abrangência das câmeras. A Bienal já solicitou cópia das imagens registradas nas câmeras de segurança e teremos acesso a este material na próxima semana.”

O deputado respondeu em sua página do Facebook sobre o caso: “Afirmo categoricamente que não acredito em uma relação entre os fatos (seu discurso e o sumiço da peça), que trata-se apenas de uma coincidência e que não apoio ou incentivo nenhum tipo de vandalismo.” E conclui: “Meu trabalho prima pelo resgate e proteção aos valores do povo cristão”. 

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