Panorama cria saudável diálogo

Seguindo a tradição, a segunda mostra anual do Centro Cultural São Paulo dá visibilidade a uma produção bem diversificada, colocando lado a lado expressões artísticas de diferentes tendências e gêneros, com espaço para a pintura e a escultura, experimentações de caráter formal ou diálogos entre diferentes meios de criação. Variedade essa que também se reflete no trabalho apresentado pelos dois artistas convidados, Gabriela Machado e Tonico Lemos.

Maria Hirszman, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2011 | 00h00

Enquanto Gabriela comparece com grandes telas e uma série de pinturas sobre papel nas quais dá continuidade a sua pesquisa com formas delicadas, de caráter orgânico, lançando mão de uma gama de cores intensas, Lemos - que vive há alguns anos em Londres - traz um conjunto de estranhas luminárias, que se acendem quando o visitante se aproxima e que promovem um curioso diálogo cultural ao mesclar em sua estrutura bordados de origem belga e brasileira.

A pintura também é a linguagem de Carolina Caliento. Ela segue, no entanto, um caminho bastante distinto da delicadeza um tanto lírica de Gabriela Machado. Ao promover colagens fotográficas de grandes acidentes e projetá-los nas telas, destacando sempre referências locais como o uniforme dos guardas, as placas de rua ou a assustadora paisagem da Marginal do Tietê, a jovem realiza uma obra estridente, marcada pelo desejo de denunciar o caos latente no dia a dia das cidades. Bruno Storni também lida com índices da violência, mas os desconstrói, recriando tanque de guerra, aludindo a munições e baluartes, com material de extrema delicadeza, como palitinhos de madeira e rolos e mais rolos de fita crepe.

Fazem parte da exposição as fotografias feitas a quatro mãos por Aruan Mattos e Flavia Regaldo, as paisagens em persianas de Bruno Vieira, as intervenções poéticas de Daniel Scandurra que os paulistanos tiveram a oportunidade de ver recentemente nas ruas da cidade e o exercício de criar discos fictícios de Rafael Adorjan.

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