Palavras erradas que deveriam estar certas

Há uma série de palavras que estão certas, mas deveriam estar erradas

Ruth Manus, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2017 | 02h00

Há uma série de palavras que estão certas, mas deveriam estar erradas. Mas há, principalmente, muitas palavras erradas que deveriam estar certas.

Por exemplo. Era para ser descorpião e não escorpião. Escorpião é tipo ex-corpião. Tipo ex-namorado. Não servem para muita coisa. Descorpião é uma palavra evidentemente melhor.

Outro exemplo. Leite colensado e não leite condensado. Colensado é uma palavra que desliza na língua que nem o leite colensado desliza da lata. Muito mais coerente.

Era para ser Indiota. E indiossicasia.

E, principalmente, indioma. E o indioma que eu falaria melhor seria o intaliano, para viajar para a Intália.

Era para a exposição ser intinerante e a carteira ser de indentidade.

Meu sanduíche deveria ser de quejunto e preso.

Ou então de mortandela. Eu sei que é carne, mas não precisa me lembrar toda hora que ela está morta. Morta-dela. Péssima ideia.

Quando você bate os ovos e coloca na frigideira, deveria ter uma ovelete, nunca uma omelete. É infinitamente mais lógico.

Para ficarmos fresquinhos, deveríamos ligar o ar conticionado. 

E na moto colocaríamos o pacacete e nunca capacete. Porque ninguém quer capar quem está na moto. Mas queremos estar protegidos pacacete.

Assim como pacagaio é bem melhor do que papagaio. A não ser que ele more no Vaticano, aí sim, papagaio.

A letra “L” também facilita muitas coisas. Um camelo com uma corcova é um dromedálio. Se fosse para ser dromedário deveria ser camero.

Malmita tem muito mais sabor do que marmita. Marmita tem gosto de mármore.

Célebro tem ideias muito melhores do que cérebro.

E aqueles que não querem ser velhos deveriam fazer tratamentos para rejuvelhecer. Rejuvenescer deveria ser o ato de voltar a torcer pelo Juventus.

Pessoas boas ajudam eventos beneficientes. Evento beneficente não traz benefícios, apenas benefiços.

Seria muito melhor encher o tanque do carro de congustível. Ou então simplesmente de bustível. Quando o tanque estiver cheio, está com bustível. Quando estiver vazio, sem bustível. Tudo menos combustível.

A mesma lógica se aplica ao guardanapo. Não há expressão pior do que “porta-guardanapo”. Porta/guarda/napo. É pleonasmo. Por isso, o certo era napo. E o porta-guardanapo era o guarda-napo.

Era para ser cisnei e não cisne, já que é uma ave tão bela, que aparece nos filmes da Disney. Cisnei é lindo.

Flauda é muito mais simpático do que fralda. Fralda parece fraude. Os bebês nem sabem o que é isso.

Supérfulo e nunca supérfluo. Supérfluo parece coisa de dentista. Superflúor. Supérfulo, muito mais adequado.

Luvem. O céu está cheio de luvens. As luvens são leves e lindas. As nuvens são neves e nindas.

Pírula. Especialmente se for anticoncepcional. Porque o problema vem do piru, não do pilu.

Muinto. Toda criança sofre quando descobre essa história de “muito” sem n. Chega, já sofremos muinto com isso.

Cabelelero. Talvez com um circunflexo. Cabelelêro. Nem se compara.

Minduim e não amendoim. 

Pranta, prantação e prantinha.

Brusinha. Impossível reclamar do preço de uma blusinha. Quem está cara é a brusinha.

Era para ser reinvindicar, nunca reivindicar. Até porque o rei nunca é quem vindica nada. É o povo. 

E quando venta muito é um ventaval. Vendaval deveria ser excesso de vendas.

Asterístico é indiscutivelmente melhor do asterisco. Asterístico é artístico, asterisco é artisco.

Entreterimento também é uma mudança necessária e muito (muinto) importante.

Nas pálpebras, passamos sombra, porque é embaixo da sombrancelha, nunca da sobrancelha. Sobrancelha só deveria existir para quem a tem muito grossa, com pelos sobrando.

E essas mudanças deveriam ser questão de energência. Essa eu não sei bem justificar a razão de ser melhor que emergência. Mas é.

E, por fim, açúcar mascável. Mascavo, não. Mascável, por gentileza.

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