Assine o Estadão
assine

Cultura

Fábio Porchat

Olimpíada

O Brasil está prestes a explodir, se já não explodiu. A cada dia, uma nova notícia faz com que tudo o que você sabia se transforme em puro achismo. E as notícias só são ruins. Nunca vem alguma coisa que salve alguém, é sempre alguma coisa que piora muito mais a situação de todos os envolvidos. 

0

Fábio Porchat

27 Março 2016 | 04h00

Eu já estou com medo de o meu nome aparecer numa lista dessas. Será que o meu telefone foi grampeado? O que será que eu disse algum dia sobre a cidade de Maricá? Será que eu já liguei para o Lula por engano, algum dia? E, no meio desse caos, adicionando o fator zika, me dei conta de que faltam alguns meses apenas para a Olimpíada. 

Minha pergunta é: como, nesse clima de ódio instaurado, se apegar positivamente ao maior evento esportivo do planeta? É um momento único para o País. 

Sediar os jogos olímpicos é sensacional, talvez isso não volte a acontecer durante a vida de qualquer um que esteja lendo isso. Ou que consiga ler de um modo geral. Temos atletas excelentes e vamos jogar em casa. Só que, por conta dessa confusão, talvez não usemos esse fator incrível a nosso favor. 

Os ânimos estão tão exaltados que quem pode levar a pior são os nossos jogadores. O brasileiro, que é um povo tão passional e animado, tem a chance rara de poder torcer e incentivar as equipes de todas as modalidades de um jeito que só o brasileiro sabe. 

O problema é que o feitiço pode virar contra o feiticeiro no momento em que as pessoas resolverem vaiar, xingar ou torcer contra como forma de protesto. Os nossos atletas não têm nada a ver com isso. A Olimpíada sendo aqui, na Polinésia ou na Suécia, aconteceria de qualquer forma e eles entrariam em quadra/campo do mesmo jeito. 

Vamos torcer e fazer a diferença, lembrando que a culpa daquele estádio ter sido superfaturado não é de nenhum deles ali, que estão disputando as medalhas. Nós, enquanto torcedores, podemos, sim, fazer a diferença. Para o bem ou para o mal. Vamos protestar?

Vamos, mas do lado de fora. Uma vez dentro do estádio, vamos jogar o time para frente e quebrar a cara dos gringos. 

O jogo em casa é uma arma poderosa e nós não podemos jogar isso fora.

Vamos, apesar de tudo, mostrar ao mundo que, em matéria de política, podemos ser os últimos colocados. Mas, em matéria de esporte, podemos conseguir facilmente a medalha de ouro!

Mais conteúdo sobre:

publicidade

Comentários