Objeto de desejo de fãs, dupla vai a festival

Arnaldo Antunes e Marisa Monte encerram evento em Belo Horizonte

LAURO LISBOA GARCIA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2014 | 02h06

"Já chegamos muito longe, mas podemos muito mais, dizem." Esses versos da canção Dizem (Quem Me Dera), de Arnaldo Antunes e Marisa Monte (com Dadi Carvalho), indiretamente traduzem o significado da longa e fértil parceria da dupla. Neste domingo eles fazem o show de encerramento da quarta edição do Festival Natura Musical em Belo Horizonte. Cercado de grande expectativa pelo público e pelos produtores, o encontro vai ser na Praça da Estação, onde foi montado um dos três palcos do evento, que também terá Ney Matogrosso, Elba Ramalho com Mariana Aydar em homenagem a Dominguinhos, Fernanda Takai com o belo show Na Medida do Impossível, com participação de Samuel Rosa, Nação Zumbi com BNegão, Karina Buhr cantando Secos & Molhados, Felipe Cordeiro com Luê, Siba com o violeiro Chico Lobo, entre outros.

Há anos pode-se dizer que os fãs acumulam toneladas de desejos de ver Arnaldo e Marisa juntos no palco. Quando eles lançaram o antológico projeto Tribalistas, com Carlinhos Brown e alguns agregados em 2002, havia uma grande demanda por apresentações do trio, mas eles não previam nada além do disco e fizeram esporádicas aparições cantando poucas músicas. Desta vez, Arnaldo leva a BH o ótimo show de seu mais recente trabalho, Disco, com participação de Marisa em cinco músicas, entre elas, Dizem, do disco de Arnaldo e que Marisa também gravou no recém-lançado DVD de seu show de 2012/13, Verdade Uma Ilusão.

As outras são Sem Você (parceria dele com Brown) e as demais dos dois com outros parceiros, Passe em Casa, Velha Infância (ambas dos Tribalistas) e Ainda Bem, gravada por Marisa. "Estamos na dúvida entre Velha Infância e Já Sei Namorar e talvez a gente faça um bis no final", diz Arnaldo. O compositor, poeta e letrista tem alternado shows com banda de peso roqueiro com outro só de voz e violão, adequado para teatros, e diz que gosta tanto de tocar em lugares pequenos como ao ar livre, como nessa grande praça.

A produção liberou 30 mil ingressos para distribuição grátis. Porém, pela expectativa do encontro, além dos outros artistas, e baseado no que se viu em 2013 no retumbante show de 30 anos dos Paralamas, o público deve ser muito maior e todo o entorno da praça deve ser fechado ao trânsito.

Conciliar as agendas de Arnaldo e Marisa é algo complexo, como de qualquer artista do porte deles. Conforme disse Fernanda Paiva, gerente de apoios e patrocínios da Natura, há muito tempo eles tentam reunir os dois no palco no festival. Como Arnaldo e Marisa, Brown também já foi contemplado pelo programa da empresa. "Muita gente tinha esse sonho de ver Marisa e Arnaldo juntos no palco. Quando a gente começou a divulgar nas redes sociais que grandes atrações poderiam estar no festival, revelou-se uma expectativa gigante por esse encontro", lembra Fernanda. "Finalmente conseguimos conciliar as agendas dos dois e quando divulgamos no final de agosto que eles encerrariam o festival foi uma comoção geral."

Retomando o velho assunto Tribalistas, seria ainda mais difícil juntar os três ao vivo, como ocorreu em apenas cinco ocasiões - num DVD de Arnaldo, na cerimônia do 4.º Grammy Latino e num projeto de Brown em Salvador, além da participação em um festival na Itália e um show para a imprensa na França. Em Salvador, o encontro foi breve, em apenas três canções, o que deixou um bom número de fãs desapontados, embora eles nunca tivessem criado expectativas em torno disso. "Mas quando a gente se encontra é uma delícia", afirma o compositor.

Eventualmente, fazem algo juntos de forma espontânea, como em situações do show de um em que o outro está na plateia e é convidado a subir ao palco. "Outros são mais ensaiados, como minha participação no DVD dela cantando Paradeiro, mas nunca aquela coisa dos Tribalistas era um pouco intimista. Seria até legal ter feito shows em pequenos espaços. Mas a coisa ficou muito grande. Os convites eram para shows para milhares de pessoas e achávamos que não combinava muito", lembra Arnaldo. "Depois, tinha a dificuldade de conjugar as carreiras. A gente até poderia ter feito alguns shows, mas montar um cenário, projeto de luz, ensaiar e tudo o mais não vinha muito ao caso."

Arnaldo e Marisa já têm um considerável histórico de parcerias até no repertório de outros intérpretes, como Rita Lee e a portuguesa Carminho, que gravou uma parceria inédita da dupla com participação de Marisa. "Sempre que a gente se encontra sai música nova."

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