'O Rei da Noite' reúne 34 crônicas de João Ubaldo Ribeiro

Livro, lançado pela Objetiva em todo o País, traz relatos da transformação do escritor baiano nos últimos anos

Agência Estado,

17 Novembro 2008 | 10h33

O livro O Rei da Noite, coletânea de 34 crônicas de João Ubaldo Ribeiro que a editora Objetiva acaba de lançar em todo o País, reúne relatos da transformação do escritor baiano nos últimos anos. Estão lá histórias divertidas do boêmio freqüentador dos bares do Leblon, bairro na zona sul do Rio onde mora, até a sua tentativa de se transformar num homem saudável, sem beber, nem fumar, com direito a caminhadas no calçadão. Na primeira das 34 crônicas do livro, Ubaldo narra um desses porres fenomenais da época em que ele era realmente o rei da noite. Em outra, com um humor sarcástico, ataca a ditadura da qualidade de vida e diverte o leitor com a descrição das suas tentativas de caminhar no calçadão. Um dos melhores momentos é o seu esforço para ultrapassar um andarilho capenga. No auge de suas aspirações a uma vida saudável, o cronista, já sem beber e sem fumar, arriscou até a ida a um restaurante macrobiótico em Salvador. O suco de espinafre, o arroz integral e a "água descansada" não encantaram Ubaldo, mas o relato é um dos melhores do livro. O Rei da Noite revela boas conversas dos botecos do Leblon, o bairro carioca preferido das celebridades. Em uma delas, um amigo tenta convencer o outro que beber uísque evita pegar aids porque o álcool mata o vírus. Ubaldo faz parte de uma estirpe de cronistas que usa as próprias vivências como inspiração. E faz isso muito bem. Narra como ninguém as ponderações de um homem diante de um exame de próstata, as angústias da velhice e a irritação por causa das pressões para que leve uma vida saudável. Mas também fala com maestria sobre modernidade e amizade, além de contar conversas com amigos queridos como Jorge Amado. Foi o autor de Dona Flor e Seus Dois Maridos que lhe avisou há muito tempo: "Compadre, já me falaram muito das alegrias da velhice, mas ainda não me apresentaram a nenhuma". E Ubaldo, aos 67 anos, confirma a teoria do amigo de que idade não ensina nada, só atrapalha. "Calçar meias, para citar apenas um caso, já me parece uma modalidade olímpica e nem me passa pela cabeça alcançar um centésimo do índice". Por motivos de saúde, o escritor baiano trocou há muito a boemia por tardes de papo regadas a guaraná com os velhos amigos do bairro carioca do Leblon, onde mora. Sua tentativa de ser saudável é a linha que conduz o livro. As informações são do Jornal da Tarde.

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