Nas telas, a crise existencial do ogro verde Shrek

No terceiro filme da série, ele se recusa a se tornar rei e, ao lado do Burro e do Gato de Botas, sai em busca do sucessor ideal, no filme dirigido por Chris Miller

Agencia Estado

07 Junho 2015 | 10h12

No primeiro filme, Shrek conhece e se casa com Fiona. No segundo, ele conhece melhor os pais dela e descobre como é viver em um palácio. "Era natural que a história seguisse seu curso e Shrek assumisse o trono e virasse papai", conta Chris Miller, diretor de Shrek 3, continuação de uma das mais rendosas franchise do cinema de animação, que estréia nacionalmente nesta sexta, 14, em 707 salas. "Mais que a técnica, era importante um cuidadoso desenvolvimento do roteiro." De fato, de solitário morador de um pântano a rei e pai de família, Shrek sofre com as mudanças tão repentinas em sua rotina o que, claro, provoca situações engraçadas. "Fiona é muito madura e isso naturalmente tinha de acontecer", comenta Cameron Diaz, que dubla a personagem no original. Ela, assim como Miller e parte do elenco de dubladores, conversou com o Estado e outros representantes da imprensa internacional, em um hotel de Los Angeles, no início de maio. O filme ainda não havia estreado nos Estados Unidos e o temor era grande: e se não figurasse entre os grandes sucessos da temporada? O suspiro veio com a boa receptividade da animação nas telas americanas, onde o filme já arrecadou mais de US$ 281 milhões, ocupando atualmente a quinta posição no ranking das maiores bilheterias. Trunfo A história, segundo as críticas, foi um dos trunfos: após a morte do rei Harold (voz de John Cleese), pai de Fiona, Shrek repentinamente precisa virar rei. Em crise existencial e não se sentindo preparado para o cargo, ele, o Burro (Eddie Murphy) e o Gato de Botas (Antonio Banderas) precisam encontrar alguém para assumir o trono no Reino Tão, Tão Distante. Para substituí-lo, o principal candidato é o primo de Fiona, Artie (Justin Timberlake), um cavaleiro fracassado e frouxo. "O acirramento entre a relação do Burro com o Gato de Botas foi um dos assuntos acentuados nessa continuação", comenta Antonio Banderas que, segundo suas contas, a série tem fôlego para mais dois filmes. "A graça de Shrek está em ressaltar a contracultura ao ironizar as fábulas infantis e isso graças a personagens fantásticos, como o Gato de Botas, que é manipulador e irreverente." Sua ligação com o personagem, na verdade, vai além do divertimento: "Com o dinheiro que ganho com Shrek, eu posso fazer meus filmes, aqueles que não serão exibidos nos Estados Unidos". Dono da produtora Green Moon, ele prepara um roteiro em que deverá atuar sozinho, além de se interessar em produzir curtas-metragens em Andaluzia, na Espanha. Banderas também pretende investir na Broadway, "on e off", ao lado da mulher, a atriz Melanie Griffith. Uma independência que o fez recusar, por exemplo, a participar de dois filmes de seu primeiro guru, Pedro Almodóvar, Kika e Má Educação, simplesmente "por não gostar do roteiro". Dublagem Trabalhar em Shrek, de fato, é um bom negócio para os atores, pois o trabalho de dublagem ocupa entre 8 e 9 dias. E eles não se encontram no estúdio, atuando individualmente. O que evitou o constrangimento de Cameron Diaz rever Justin Timberlake, logo depois de sua separação. "Na verdade, nós nos vimos durante a divulgação do filme e nos cumprimentamos civilizadamente", disse Cameron, visivelmente interessada em botar um ponto final na fofoca. Divertindo-se com as histórias dentro e fora do filme, Julie Andrews, cuja magnífica voz dá vida à rainha, elogia sua personagem. "Afinal, como não gostar de uma mulher que se casou com um sapo antes de ele se transformar em rei e que tem um ogro como genro?", ri ela, disposta a continuar em ação no cinema. "Antigamente, atores mais velhos faziam mais filmes, agora é mais difícil", conta Julie, que vai contar muitas dessas histórias na autobiografia que lança em abril do ano que vem. O repórter viajou a convite da Paramount Shrek Terceiro (Shrek The Third, EUA/2007, 92 min.) - Animação. Dir. Chris Miller e Raman Hui. Livre. Em grande circuito. Cotação: Regular

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