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Na TV

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Luis Fernando Verissimo

O filme era uma daquelas comédias “para toda a família” que os americanos fazem melhor do que ninguém. Vi na TV até o final só porque o controle remoto estava longe e deu preguiça de ir pegá-lo para mudar de canal. E o final do filme era uma Natividade, encenada no auditório da escola por crianças, todas adoráveis. Maria, José, o bebê na manjedoura, os reis magos com suas barbas postiças, etc.

A representação acabava com Maria dirigindo-se à plateia:

– Foi assim que veio ao mundo o meu filho Jesus.

José a corrige:

– O NOSSO filho Jesus....

Maria:

– É o que você pensa...

O humor irreverente pode aparecer onde menos se espera, até para toda a família.

Donald J. Jimmy Fallon apresenta o Tonight Show na TV americana. É um apresentador competente, um pouco empolgado demais, mas engraçado. Ele tem feito imitações do candidato a candidato à presidência dos Estados Unidos Donald J. Trump, o que não é muito difícil, o Trump de verdade já é uma piada. Na outra noite, o “Trump” interpretado por Fallon explicou o significado do “J” no seu nome:

– E de “jênio”.

Amigos. O filme do Ettore Scola sobre Fellini, reapresentado na TV há dias, tem várias coisas saborosas, a escolher. Mistura tomadas reais e encenadas de Fellini e seu trabalho e da amizade dos dois diretores desde o tempo em que Scola era um chargista de jornal e Felllini começava no cinema, inclusive fazendo pontas como ator. Há uma sequência fantástica dos testes que Fellini fez para escolher o ator que faria o papel de Casanova. Os testados foram Alberto Sordi, Ugo Tognazzi e Vittorio Gassman, cada um improvisando para Fellini ver, um mais inseguro e canastrão do que o outro. Curiosamente, Fellini nem pensou em Marcello Mastroianni – seu alter ego idealizado – para fazer Casanova, que acabou sendo Donald Sutherland. O próprio Scola desagravou Mastroianni e o colocou como Casanova no seu filme A Noite de Varennes. Outra ótima cena é a da filmagem da Anita Ekberg entrando na Fontana de Trevi, uma das sequências inesquecíveis de A Doce Vida. Fellini é apresentando a “um coronelo” que se declara extasiado por estar conhecendo “o grande Rossellini”... Nota biográfica: eu estava em Roma na ocasião e assisti a parte da filmagem da cena na Fontana. Não, não apareço no filme. Que termina com o velório de Fellini, seu caixão ornamentado cercado de guardas em uniforme de gala, num dos estúdios da Cinecittà. Mas na versão do Scola, Fellini foge do seu velório. Sai correndo, perseguido pelos guardas, e acaba num carrossel, cercado pelas suas lembranças e pelos seus personagens. Com música, claro, do Nino Rota.

 

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