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Na despedida de Resnais, faltou dar crédito ao seu amor às HQs

Álvaro Moya - ESPECIAL PARA O ESTADO

12 Junho 2014 | 02h 00

Morto em março, não foi creditada ao cineasta Alain Resnais sua importância na história dos quadrinhos, certamente devido à alta qualidade de seus filmes. Mas essa relevância é pioneira e começou já em 1962, quando ele fundou o Club des Amis de La Bande Dessinée, na França. Resnais chegou a criar uma revista dedicada ao tema, Giff -Wiff, cujo nome foi escolhido pelo colaborador Jean Claude Forest, autor de Barbarella. Um dos ídolos de Resnais era Dick Tracy. Em O Ano Passado em Marienbad, Resnais baseou seu visual numa sequência dos capítulos domingueiros de Mandrake, intitulado No País de Savessa. Os jardins desenhados por Phil Davis remontavam à perspectiva do Palácio de Versalhes, e a figura ereta, estática e enigmática de Sacha Pitoeff era moldada no mágico dos quadrinhos. O cineasta chegou a fazer uma comédia sobre a devoção dos intelectuais franceses sobre os comics americanos. Uma vez ele foi aos EUA. Al Capp, o grande, perguntou a uma jovem quem era aquele e ela disse: era Resnais, da nouvelle vague. "Pensei que a nouvelle vague era uma história que começava com um casal indo para a cama e, horas depois, discutindo se deveriam ou não ir para a cama", disse Capp.