Mario Tama/Getty Images/AFP
Mario Tama/Getty Images/AFP

Museu da Selfie em Los Angeles explora história do fenômeno fotográfico

Organizadores entendem o conceito como algo mais complexo que o simples registro

AFP

03 Abril 2018 | 09h58

GLENDALE, EUA — Tirar uma selfie pode ser uma arte, entre o enquadramento e o enfoque, quando não se vê o braço esticado ou, mesmo, escolhendo o estilo do sorriso.

Tommy Honton e Tair Mamedov abriram no último domingo, 1.º, o Museu da Selfie em Los Angeles, uma exibição interativa que explora a história e o fenômeno cultural que a "autofoto" representa.

E para aqueles que pensam que se um momento não fotografado não existiu, a boa notícia é que nesta exposição a selfie é obrigatória.

A mostra começa com uma sala com espelhos, talvez o primeiro tipo de selfie.

Honton e Mamedov entendem o conceito como algo mais complexo que o simples registro fotográfico. As selfies têm "surpreendemente uma história muito rica que vai tão longe quanto ao início da arte", explica Honton.

"Rembrandt fez centenas de autorretratos, Albrecht Durer cinco, Van Gogh dezenas... Qual é a diferença? Sim, a técnica artística e a escala, mas na verdade se houvesse câmeras e celulares, todos teriam feito isso."

Outro museu de selfies abriu nas Filipinas em 2015, mas não há registro de que continue funcionando.

Localizado em Glendale, subúrbio de Los Angeles, este agora se une a outros museus curiososo da cidade: do coelho, da morte, do neon e até do veludo.

A exposição está cheia de dados curiosos sobre o fenômeno, como, por exemplo, que mulheres tiram mais selfies do que homens. Em São Paulo são 65,4%, em Nova York 61,6% e em Moscou 82%.

Há também uma escultura de Colette Miller e uma obra de Darel Carey, que com fitas plásticas cria salas que são, como descreve o museu, "um imã de selfies".

Também há trabalhos do brasileiro Rob Vital, do alemão Joseph Nowak, do italiano Michele Durazzi, além de uma cópia das recomendações do governo russo para tirar selfies "seguras", depois do registro de vários acidentes e até 12 mortes.

Uma das fotografias exibidas é a polêmica "selfie do macaco", de David Slater, objeto de disputa judicial encerrada ano passado.

Em outros momentos, há ainda o Trono do Pau de Selfie e estátuas que emulam o Davi de Michelangelo.

O Museu da Selfie fica em Glendale inicialmente por dois meses, e seus criadores estão abertos a ampliá-lo ou levar a mostra para outras cidades e mesmo países.

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