Maria Fernanda Rodrigues/AE
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Mudança na equipe de direito autoral do MinC agita editores na Feira do Livro

Marcos Souza reassume o posto que ocupou no Ministério da Cultura durante as gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira

MARIA FERNANDA RODRIGUES - ENVIADA ESPECIAL,

11 Outubro 2012 | 03h13

FRANKFURT - Foi com apreensão, mas com um pouco de esperança, que a presidente da Câmara Brasileira do Livro Karine Pansa recebeu, em Frankfurt, a informação de que Marcos Souza reassumiria o posto que ocupou no Ministério da Cultura durante as gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira - o de diretor de direito autoral.

"Ele fazia parte de um conjunto que tinha ideias com as quais não concordávamos, mas esse conjunto não está mais estabelecido e achei bacana a posição da ministra Marta, que disse que a nomeação não queria dizer que ele manteria a linha que o levou ao ministério. Enfim, o que não queremos é que haja flexibilização da questão do direito autoral", diz Karine. Para ela, os autores serão os primeiros prejudicados com uma lei mais aberta, que não protege seus direitos.

"Isso não é mal visto apenas no nosso país, mas no mundo todo", comenta Pansa, que concorre, nesta quinta-feira,11, a uma cadeira na International Publishers Association (IPA), entidade que representa editoras de diversos países e que tem entre suas prioridades a discussão da propriedade intelectual e a acessibilidade. É candidata única para uma cadeira não cativa no comitê executivo.

"Essa discussão vem no momento certo, em que todo o globo está preocupado com o acesso à informação; mas o Brasil não pode sair por uma rua que não está pavimentada." Karine disse que assim que voltar da Feira do Livro de Frankfurt, que começou ontem e segue até domingo, vai propor novas conversas com a equipe que está estudando a nova formatação da lei de direitos autorais. Por ora, cuida dos compromissos oficiais e acerta, com a Fundação Biblioteca Nacional e a Feira de Frankfurt, os últimos detalhes da coletiva de imprensa que apresentará, nesta quinta-feira,11, o conceito da participação do Brasil na feira de 2013, quando será o país convidado. Uma das novidades que anunciarão é a escolha de Daniela Thomas e Felipe Tassara como cenógrafos do pavilhão brasileiro.

Ontem, a movimentação do estande coletivo do País, que reúne mais de 40 editoras, foi tranquila durante quase todo o dia. Mas a realidade começou a mudar no final da tarde. O lançamento da revista Machado, com textos de autores brasileiros traduzidos para o inglês ou para o espanhol, lotou, pela primeira vez no dia, o auditório. A recompensa para quem ouviu os discursos: um exemplar da revista e uma caipirinha. Aliás, quem passar pelo estande no final da tarde nos próximos dias também vai poder experimentar a bebida. Participaram do lançamento - mas da plateia -, alguns dos autores que tiveram textos selecionados, como Cristovão Tezza, Luiz Ruffato, João Paulo Cuenca e Andréa Del Fuego, além de outros convidados da comitiva brasileira.

Durante todo o dia foi comum ver editores estrangeiros entrando no estande do Brasil com papeizinhos com nome de livros ou de autores. "As pessoas que vieram aqui não estavam de passagem. Vieram porque tinham reunião ou porque queriam conhecer algum livro específico", contou Dolores Manzano, responsável pelo projeto Brazilian Publishers, que tem o objetivo de tornar a produção editorial brasileira mais exportável.

"Encontro as mesmas pessoas todos os anos e sempre falo sobre nossos autores. Elas se interessam, mas sempre olham com aquele olhar de que tudo o que fazemos é exótico. Agora, mesmo que esses editores com quem conversei não soubessem muito bem o que eles queriam, a iniciativa de falar sobre nossa literatura era deles", conta Mariana Warth, da Pallas.

José Castilho, diretor da editora Unesp e da Associação Brasileira de Editoras Universitárias, se desdobrou no corredor das acadêmicas, montado pela primeira vez na feira, e que fica bem na frente do estande do Brasil. Com as greve das universidades federais, os seis editores que viriam para se revezar no espaço não conseguiram se organizar a tempo. Pela manhã, ele ajeitava os livros, anexava uma folha com o resumo das obras em inglês. Logo os visitantes começaram a chegar. "De três anos para cá vem crescendo o interesse no País, mas hoje recebi um livreiro alemão querendo comercializar os livros das editoras universitárias", comemora.

Entre as editoras que passaram pelo estande da Record, duas foram certeiras: uma holandesa queria conhecer o Quiçá, romance de Luisa Geisler vencedor do Prêmio Sesc, e uma francesa queria editar Fugalaça, de Mayra Dias Gomes. Os negócios ainda não foram fechados.

Pedro Sirotsky, diretor da Toriba, veio à feira pela primeira vez este ano, mas não trouxe nenhum de seus livros enormes - a editora investe no segmento de volumes para colecionadores. A ideia era conhecer o evento - Roger Farina, também de lá, veio no ano passado acompanhado do livro Nação Corinthians, que pesa 30 kg. "Pretendemos estar ao lado das editoras brasileiras em 2013, mas não descartamos a ideia de ter um estande próprio", comenta. Sua aposta é em dois livros que estão para sair, um sobre a seleção brasileira e outro sobre o Pelé, ambos em edições bilíngues. Outro motivo do investimento é que os livros terão distribuição internacional.

Francisco Pereira é um editor em formação e participa da Feira de Frankfurt desde 2008. Olha, estuda, ouve, vai num seminário aqui e noutro ali. Tudo isso para preparar o lançamento de sua editora, a Reflexiva, que deve começar a operar em 2013.

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