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Mostra 'Tom Jobim - Música e Natureza' abre para o público no Rio de Janeiro

Exposição é a mais caprichada já dedicada ao compositor maior da música brasileira

ROBERTA PENNAFORT - O Estado de S.Paulo,

30 Outubro 2012 | 02h08

RIO - Os funcionários do Instituto Antonio Carlos Jobim, no Jardim Botânico, já se acostumaram. Os visitantes chegam - em bom número, estrangeiros apaixonados pela bossa nova - e perguntam: "Mas cadê o chapéu do Tom?"

Fã que é fã é fetichista, gosta de memorabilia, quer ver de pertinho objetos que pertenceram ao ídolo. Na mostra Tom Jobim - Música e Natureza, a mais caprichada já dedicada ao compositor maior da música brasileira, ninguém vai ter do que se queixar.

Nos 190 metros quadrados do recentemente ampliado espaço expositivo do instituto, abertos nesta terça-feira, 30, ao público, o piano da Rua Nascimento Silva 107, o endereço histórico de Ipanema onde foi composto o cancioneiro da bossa, é peça central.

Naquelas teclas nasceu tudo que Tom Jobim (1927-1994) fez sozinho ou com Vinicius e Newton Mendonça entre os anos 50 e 60 (pense nos clássicos todos, Garota de Ipanema, Corcovado, Insensatez, Samba do Avião, a trilha de Orfeu da Conceição...)

O piano estava na casa da filha Beth Jobim. "Não estava funcionando e, quando mandei consertar, anos atrás, o cara queria trocar as teclas amareladas por novas, de plástico. Eu não quis, precisava manter as digitais ali."

O instrumento foi o segundo da vida de Jobim. O primeiro foi presente do padrasto, Celso Frota Pessoa (o pai morreu quando ele tinha oito anos), um piano de cauda ganho aos dezessete anos, cuja qualidade deixava a desejar.

Depois de 1949, quando se casou com Thereza Hermanny, fez questão de trocá-lo pelo Weimar de armário que viraria um xodó - iria acompanhá-lo até o fim da vida, não mais como o principal da casa (este, um Yamaha moderno, hoje com o neto músico Daniel Jobim), mas como uma relíquia deixada no último andar, a ser usada quando queria silêncio para compor.

Os manuscritos de letras de canções como Águas de Março, Caminhos Cruzados e Samba de uma Nota Só, com trechos rabiscados e reescritos, assim como fotografias da vida inteira e registros da discografia no Brasil e no mundo estão na exposição, que, além da Nascimento Silva, também reproduz um cantinho da sua última casa, no Jardim Botânico: uma estante cenográfica com os óculos, a capanga, os chapéus, a coleção de lupas, os livros preferidos (volumes de Guimarães Rosa, o songbook de Gershwin).

A forte relação com a natureza, que vinha da infância, do presente avô materno, professor de geografia, está em vídeos, na paixão pelo sítio de Poço Fundo que frequentou desde menino, e é materializada na caixa de pios de pássaros.

As cartas para os filhos e amigos (Vinicius, Frank Sinatra) mostram o homem amoroso e solidário; relíquias que contêm também números de telefones e contas domésticas revelam o desprendimento; nos cadernos com as letras, uma flagrante falta de liturgia; nos Grammys, o alcance da obra monumental.

"A gente montou exposições do Chico Buarque, do Dorival Caymmi, do Lúcio Costa (acervos digitalizados e disponibilizados na internet pelo instituto, como o de Jobim), mas as pessoas chegam aqui e querem ver as coisas dele. Tem muita gente que cultua o Tom e esse é um retorno ao carinho que a gente recebe", conta Paulo Jobim, filho do maestro e curador da mostra, com a mulher, Elianne.

"Nossa primeira ideia foi fazer uma exposição mais sensorial. Como se fosse a primeira vez em que as pessoas ouviram Chega de Saudade", diz ela. "Mas tínhamos tanto material legal que fomos incluindo".

O projeto educativo "O Observador da Natureza" prevê visitas montadas para grupos escolares. Eles vão passear pelas aleias do parque com guias a lhes mostrar diferentes espécies da fauna e da flora, tal qual Jobim faria.

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