Monty Python promete risos e dança em reencontro histórico

Grupo britânico estreia novo espetáculo nesta terça-feira em Londres e terá transmissão internacional ao vivo

Pedro Caiado, ESPECIAL PARA O ESTADO

30 Junho 2014 | 11h07

Atualizado às 18h20

"Eles ainda estão fazendo comédia? Quem quer vê-los de novo?" A pergunta provocativa e hilária de Mick Jagger estava no vídeo de introdução à coletiva de imprensa que apresentou ontem a trupe de humoristas britânicos Monty Python, que hoje inicia uma série de dez shows na arena O2, em Londres.

"Um monte de homens velhos enrugados tentando recapturar a juventude. Um deles morreu anos atrás", continuou Jagger. A brincadeira deu o tom descontraído à entrevista com os cinco comediantes, realizada no teatro Palladium de Londres, que seguem à risca uma regra: não se levarem a sério.

Os shows de despedida devem atrair uma audiência de mais de 15 mil pessoas e incluirão esquetes como Inquisição Espanhola (do filme O Sentido da Vida, de 1983) entre outras nunca apresentadas ao vivo. "Nós vendemos mais ingressos que o Festival Glastonbury", garantiu Eric Idle, que dirige o espetáculo, se referindo ao maior festival de música do Reino Unido.

O espetáculo de encerramento, no dia 20 de julho, terá transmitido mundial pela TV a cabo do Reino Unido, além de diversos cinemas ao redor do mundo. "A questão era como encher aquela Arena? Não queríamos que fosse um show em que as pessoas tivessem que olhar para o telão o tempo todo, como um programa de TV", afirmou Eric Idle, acrescentando que vai ser uma grande e colorida produção. "Será nosso último programa de TV e o primeiro ao vivo. Nem os Beatles fizeram um adeus como o nosso."

Além das partes cômicas e de alguns dançarinos, o show trará músicas do catálogo da trupe. "Nós trouxemos de volta um formato musical famoso nos anos 50, mas que ninguém mais fez desde então", adiantou o Python Eric Idle. "Será um humor bem sujo. Fico orgulhoso de dizer que será nojento."

John Cleese brincou: “Se as pessoas compraram ingressos é porque gostam de nós. Eles não pensaram 'eu não os suporto, então vou comprar seis entradas'."

Antes das entrevistas, um vídeo dos ensaios mostra que a apresentação vai ser bem dinâmica. Questionados se têm se preparado fisicamente para os dez shows, Terry Jones confessou: “Não tenho bebido há uma semana”. E Terry Gilliam brincou: “Serão apresentações muito dinâmicas, especialmente para homens de 70 anos. Vamos fazer uma homenagem pré-póstuma, com bastante riso e dança”. E Michael Palin brincou: “Se um de nós morrer, o restante da trupe receberá mais dinheiro".

As apresentações vão ter uma série de convidados especiais. "O físico inglês Stephen Hawking estará no show. Nós o convidamos e ele aceitou na hora", contou Idle. “Não será uma apresentação teatral como fizemos em 1973. Será algo entre um musical e um show de rock", explicou Cleese.

O único Python que falta na trupe é Graham Chapman, que morreu em 1989. Mas o grupo garantiu que ele estará presente em filmes, incluindo um papel no musical final. "Ele era um ator incrível, melhor que todos nós", elogiou Cleese.

Indagados se levarão o show a outros países, eles não mostraram entusiasmo. "Preferimos fazer poucos shows e somente aqui na Inglaterra", disse Cleese. Sobre um possível plano de aposentaria após a série de shows, Gilliam avisou: "Nós não vamos aposentar os Pythons”, enquanto Cleese confessou: "Agora que não precisamos fazer nada só por dinheiro e podemos fazer o que quisermos, então espere surpresas".

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