Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministro da Cultura promete 'refundar' a Funarte

'Trouxemos o ministério da Cultura para o século 21', diz Marcelo Calero

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2016 | 17h43

GENEBRA - O novo chefe da pasta da Cultura, Marcelo Calero, afirmou que quer um Ministério profissional, exonerando funcionários que não pertencem ao quadro. Ele também disse que vai "refundar" a Funarte. Em entrevista ao Estado em Genebra, enquanto participava de reuniões na Organização Mundial de Propriedade Intelectual, Calero explicou sua gestão, alvo de duras críticas por parte do setor cultural brasileiro. "Trouxemos o ministério da Cultura para o século 21", disse. "Tratamos de fazer com que essa estrutura refletisse as novas realidades da cadeira Cultura, que sublinhasse a cultura como eixo estratégico do desenvolvimento socioeconômico do Brasil", afirmou.

Segundo ele, foi pensando nisso que o governo decidiu criar a secretaria da economia da cultura, a coordenação para acessibilidade e inclusão e a secretaria de infraestrutura. "Procuramos atender às demandas de outros entes públicos, como prefeituras, governos estaduais e também o setor produtivo", disse. 

Ainda em julho, ele exonerou 81 funcionários de cargos comissionados. Mas ele já negou qualquer tipo de perseguição política. "O que fizemos foi atender às demandas da sociedade por um serviço público cada vez mais eficiente", justificou. "Nesse sentido, de fato exoneramos funcionários que não pertenciam aos quadros do Ministério da Cultura", disse. 

Calero, um diplomata concursado, diz que leva ao ministério da Cultura a tradição do Itamaraty de ter 99% dos cargos de confiança ocupados por funcionários de carreira. "Foi com essa mente que eu vim ao ministério da Cultura", afirmou. 

"Ainda não foi possível atingir esse número de 99% no Ministério da Cultura. Mas já conseguimos atingir entre 60% e 65% de cargos de confiança sendo ocupados por funcionários de carreira", afirmou. "O objetivo é o de aumentar cada vez mais, de ano a ano", disse. "Vamos fazer com que os cargos de confiança sejam ocupados por funcionários dos quadros do Ministério", insistiu. 

Calero garante que não vai se concentrar em simplesmente trocar os cargos de confiança para dar a seus aliados. Ele admite que, em alguns casos, especialistas foram levados para Brasília. "Mas estamos iniciando um movimento para que, no futuro, todos esses cargos sejam ocupados por pessoas de dentro do Ministério", disse. 

Segundo Calero, ele fez o primeiro seletivo interno "da história do Ministério" para escolher quem ocuparia as novas vagas. "180 entrevistas foram feitas e 41 funcionários se qualificaram para 50 vagas que tínhamos abertos", contou. Isso foi inédito e atende a uma demanda dos servidores e uma demanda da sociedade por um serviço profissional", apontou.  

Quanto à Funarte, o ministro indicou que mudanças serão realizadas. Questionado sobre o que vai ocorrer com a entidade, ele apenas disse: "essa é a pergunta de um milhão de dólares". 

"Ela precisa passar por um processo de refundação", disse. "Ela perdeu sua capacidade de investimento, sua capacidade operacional, os servidores estão desestimulados. Portanto, é um processo que estamos lidando a várias mãos e liderado pelo presidente da Funarte e comigo", explicou. 

"Estamos juntos com a Casa Civil trabalhando para formular algumas opções para apresentar ao presidente Michel Temer", disse. Questionado sobre o prazo dessa reforma, ele indicou que não poderia dar uma data. 

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