'Meu Pé de Laranja Lima' é exibido no Festival do Rio

Na noite de abertura do Festival do Rio, a diretora artística do evento, Ilda Santiago, havia agradecido antecipadamente ao esforço de sua equipe, dizendo que a maioria das sessões seria em digital e todos os cuidados estavam sendo tomados para garantir a excelência técnica. Pelo visto, os cuidados não foram suficientes e, em apenas dois dias de Première Brasil, na sexta-feira e no sábado, pelo menos três exibições foram interrompidas para ajustar imagem e som. É um problema que extrapola o Festival do Rio. Diz respeito ao mercado como um todo, que se aparelha para o que já é irreversível - dentro de um par de anos, garantem especialistas, todas as projeções serão em digital. O mercado brasileiro está aparelhado para isso?

AE, Agência Estado

01 Outubro 2012 | 10h45

Maior vitrine da produção brasileira, a Première Brasil bate o próprio recorde e este ano apresenta 73 títulos divididos em diferentes seções e formatos - curtas e longas, ficções e documentários, retratos e música. No sábado à noite, passou o melhor filme até agora - "Meu Pé de Laranja Lima", que Marcos Bernstein adaptou do livro famoso de José Mauro de Vasconcelos. Ator de Walter Hugo Khouri (em "A Garganta do Diabo"), José Mauro virou um autor de muito sucesso nos anos 1960, cujos livros, e especialmente "O Meu Pé de Laranja Lima", vendem bem até hoje. Os críticos quase sempre foram duros com ele, deplorando menos a estrutura melodramática do que o apelo ao sentimentalismo.

"Meu Pé de Laranja Lima" foi filmado por Aurélio Teixeira e deu origem a duas novelas de televisão. Marcos Bernstein, roteirista de "Central do Brasil" (com João Emmanuel Carneiro) e diretor de "Do Outro Lado da Rua", demorou uma década - dez anos! - para concretizar o projeto. No palco do Cine Odeon BR, cercado pela equipe, ele disse que seu filme mudou muito ao longos dos anos. De narrativa de época virou drama contemporâneo, a verba encurtou, foram muitos percalços, mas o que não mudou foi a dedicação de atores e técnicos que deram o melhor de si.

O filme recria o básico do livro - a história do garoto sofredor, que apanha do pai e conversa com a árvore do título -, mas resulta em outra coisa na tela. Por mais que José Mauro de Vasconcelos dissesse que Zezé, o pequeno protagonista de "Meu Pé de Laranja Lima", não era ele, havia elementos autobiográficos na história, sim, e a adaptação de Bernstein os realça. O filme é sobre esse garoto que tem uma imaginação muito fértil e que vira escritor. Ele ganha de um amigo, o Portuga, a caneta com a qual escreve sua primeira história. Realiza o rito de passagem numa cena memorável - que não está no livro nem no filme antigo -, correndo contra o trem num desejo de superação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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